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Ler os visionários

Um passeio pela Rússia mas também por França, ao qual Paulo Tunhas junta ainda uma referência à Terra Santa e a Portugal, seguindo um ponto de vista muito particular.

Russian Tourism

Autor
  • Paulo Tunhas

“Oblomov”
Ivan Gontcharov
trad. francesa por Luba Jurgenson
(L’Âge d’Homme, Lausanne, 1988)

O original russo foi publicado em 1859. Uma genial comicidade contra um fundo trágico. O trágico não perturba o cómico nem o cómico perturba o trágico. Dos livros que mais me fizeram rir, provavelmente por um sentimento de ocasional proximidade com o personagem. Não sei se há melhor tradução do que esta tradução francesa.

“Contos de São Petersburgo”
Nicolau Gogol
trad. portuguesa por Nina Guerra e Filipe Guerra,
(Assírio e Alvim, 2007)

Reunião de contos publicados entre 1835 e 1842. Magníficos todos. O meu preferido é o “Diário de um louco”. Tal como Oblomov, é a história de uma decadência, neste caso a entrada na loucura, e também como em Oblomov, embora de maneira muito diferente, o cómico e o trágico convivem às mil maravilhas. Fez-me rir ainda mais do que Gontcharov. A tradução portuguesa só pode ser boa, tal o prazer que dá.

“La vie devant soi”
Émile Ajar (pseudónimo de Romain Gary)
(ed. Mercure de France, Paris)

Com este livro, publicado sob um pseudónimo, Gary tornou-se o único escritor a vencer duas vezes o Prémio Goncourt. Uma pura maravilha de humor e inventividade literária.

“Christian Begginings. From Nazareth to Nicaea, AD 30-325”
Geza Vermes
(ed. Allen Lane, Londres, 2012)

A obra que resume uma vida inteira de investigação sobre o Jesus histórico e sobre as metamorfoses da sua imagem. Há, quase a cada página, a descoberta de questões novas que nos revelam a ignorância que nos levava a dar por certas coisas sobre as quais nunca tínhamos verdadeiramente pensado.

“De mal a pior”
Vasco Pulido Valente
(D. Quixote)

Uma das pouquíssimas pessoas com uma verdadeira visão de Portugal e um génio único para a exprimir. Escritas entre 1988 e 2015, estas colunas selecionadas por Miguel Pinheiro fazem-nos ver o presente como ninguém mais o sabe fazer.

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