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O videojogo português que nasce de uma história de amor. Com 9.110 quilómetros de distância

Gonçalo Henriques está a desenvolver o Crystalverse em direto no Twich.tv e toda a gente pode ver como se programa uma história de amor: a sua e a de Mariana Fernandes.

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Gonçalo Henriques deverá terminar o Crystalverse, que desenvolve desde outubro de 2015, daqui a três anos

ANDRÉ MARQUES / OBSERVADOR

Gonçalo Henriques deverá terminar o Crystalverse, que desenvolve desde outubro de 2015, daqui a três anos

ANDRÉ MARQUES / OBSERVADOR

Há três anos, Gonçalo Henriques foi trabalhar para São Francisco, nos Estados Unidos. Tinha 30 anos e namorava há ano e meio com Mariana Fernandes. Pelo meio, 9.110 quilómetros de distância e oito horas de diferença horária. Ele estava a dormir quando ela acordava. Ela adormecia quando o dia dele ia a meio. Estavam “desfasados”, conta. “Como se estivéssemos em duas realidades diferentes”. Hoje, a realidade é a mesma: Gonçalo mora com Mariana, em Lisboa, e lançaram os dois uma startup, a Arcade Thumb. E é lá que entre linhas de código e pixels programam a sua história – de amor e de desencontro – em direto, para toda a gente ver. E jogar.

A história do videojogo que o Gonçalo está a programar em direto no Twich.tv é esta: a de duas personagens – dois exploradores (um rapaz e uma rapariga) – que estão divididos em duas realidades paralelas “e têm de saber comunicar, para interagir e resolver os puzzles” do jogo. Margem para conversarem? Só alguma e em determinadas zonas. Tal como aconteceu com ele e Mariana no passado. Nome do jogo: Crystalverse.

“[Quando estava nos EUA] era muito difícil comunicarmos, era muito fácil chatearmo-nos por qualquer coisa. Havia ali umas oito horas em que ninguém falava. E havia um clima estranho”, lembra.

Há paixões que nascem cedo e duram para a vida. Na vida de Gonçalo, Mariana não era a primeira. Primeiro, foi o Gameboy (da Nintendo), continuou na Playstation 1 (da Sony) , chegou à Nintendo e mais tarde ao computador. “Nunca mais parei”, conta ao Observador. O amor pelos videojogos levou ao amor pela programação. Hoje é, a tempo inteiro, iOS developper (faz aplicações para dispositivos iOS) noutra startup. A Arcade Thumb e a história de amor do Crystalverse fica reservada para os tempos livres e em direto. Mas não é a única.

Além de apaixonado por Mariana, Gonçalo é daltónico, ou seja, não consegue distinguir corretamente as cores. E isso fez com que tivesse de passar por várias dificuldades enquanto jogava. Problema? Não, solução. Quando começou a desenvolver os seus próprios jogos – o Colortrix e o Crystalverse -, adaptou-os para daltónicos. E foi além. Conseguiu entrar em contacto com o estúdio alemão Pixel Maniacs para lhes dizer que não conseguia jogar o Chromagun.

“Disse-lhes: vejam lá isso que eu não consigo jogar. Já desenvolviam um modo para daltónicos. Se precisarem de ajuda contem comigo”, lembra.

Do outro lado, obteve resposta. Os responsáveis garantiram-lhe que já estavam a tratar disso e Gonçalo Henriques decidiu fazer o que chama uma “experiência social”: jogou Chromagun também em direto até à última sexta-feira. Porque queria “mostrar ao mundo a dificuldade” de os daltónicos jogarem jogos não adaptados, enquanto fazia sugestões de alterações ao jogo. “[Enquanto programador] tenho de ter sempre isto em mente, claro. Caso contrário nem eu consigo testar o meu jogo. Desde que o jogo é construído tem que estar preparado para isso, para que o daltónico consiga perceber”, diz.

Aulas de programação em direto para 267 seguidores

Conciliar o trabalho com a “experiência social” que foi o Chromagun e a transmissão em direto da sua história de amor com Mariana “não é fácil”, conta. “Há ainda a família, os amigos, sair à noite. Às vezes acontece ser tudo ao mesmo tempo. É preciso saber balancear e é preciso ter uma grande paixão”, diz. Tem contado com o apoio da startup em que trabalha, que tem sido “muito flexível” em termos de horários.

A transmissão em direto do processo de construção do Crystalverse — que “ainda vai demorar três anos” a finalizar – vai continuar no canal que detém no Twich.tv, uma plataforma online de streaming na área dos videojogos, que conta com mais de 45 milhões de utilizadores e visitantes todos os meses. Todas as semanas, Gonçalo partilha as duas realidades paralelas com 267 seguidores.

“Não só é bom para estar focado, como também é bom para as pessoas perceberem a dificuldade que é fazer um jogo”, que “demora tempo, dá trabalho. Não é só ‘tive esta ideia hoje e amanhã está pronto’, como alguns pensam”, diz.

O programador conta que as pessoas utilizam o chat do Twich para tirar dúvidas e aprender, tornado a transmissão do videojogo uma aula de programação. Mais uma vez, a importância da comunicação. “A comunicação foi muito importante para eu e a Mariana continuarmos a nossa relação. E, quando falámos em realidades paralelas, nós pensámos que isto era o que nos acontecia: só em certas zonas horárias é que estávamos juntos”, explica. Agora, estão juntos em Lisboa. A programar em casa as realidades paralelas que deixaram para trás.

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