O Novo Banco comunicou o reembolso antecipado de 25 produtos financeiros estruturados que tinham aplicações em obrigações emitidas pela antiga Portugal Telecom e que passaram para a responsabilidade da Oi. Estas obrigações não são os títulos de retalho vendidos diretamente a investidores particulares, mas sim títulos de dívida colocados junto de institucionais, mas que acabaram por ir parar à carteira de clientes de bancos, por via destes produtos. Aumenta assim o raio de perdas para os investidores portuguesas resultantes do processo de recuperação judicial da operadora brasileira que pediu a proteção dos credores em junho.

O Observador sabe entretanto que os clientes do Barclays que passaram para o Bankinter estão também a ser informados por carta das consequências, “materialmente prejudiciais” da declaração de situação de incumprimento por parte da Oi. Neste caso haverá pelo menos produto que consiste num seguro em cuja composição existem obrigações emitidas pela Portugal Telecom Internacional. Também o Deutsche Bank terá vendido produtos de investimento complexos que incluam obrigações da antiga PT.

Segundo as condições de colocação, quando há um evento de crédito de insolvência num dos emitentes de títulos de dívida que foram utilizados por estes produtos financeiros, há lugar a um resgate antecipado. Neste caso, o comité internacional de instituições financeiras, a ISDA, declarou que se verificou um evento de crédito de insolvência na Portugal Telecom International Finance, a sociedade que passou para o universo Oi e que é agora emitente das obrigações da antiga PT SGPS. Esta informação foi dada ao Novo Banco pelo Haitong (antigo BESI), o agente do produto e divulgada no site da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, que é a supervisora de produtos de investimento. Neste caso, segundo informação já vinda a público, a colocação terá sido feita pelo banco Best.

A dimensão das perdas dependerá das condições de cada produto que estão descritas na Ficha de Informação Financeira dada ao cliente na altura da subscrição. Muitos destes produtos têm outros ativos subjacentes, para além de obrigações PT, nomeadamente divida de outras empresas.