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O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, deu esta manhã de sábado uma conferência de imprensa onde disse que a tranquilidade voltou à Turquia e apelou à comunidade para este sábado sair à rua e levar bandeiras nacionais nas mãos. O Observador destacou as quatro frases mais impactantes que o governante disse durante a conferência.

“Quem abriu fogo contra os cidadãos turcos é pior que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK)”.

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão está associado à luta pela independência dos curdos. A maior parte do território do Curdistão está localizado a sul da Turquia, e estende-se pelo Irão, Síria e Iraque. Estima-se que tenha uma população de 30 milhões, sendo o maior povo sem Estado do mundo. O PKK foi fundado em 1974 por Abdullah Öcalan, entretanto detido, e na sua história há registo de vários ataques terroristas e de sequestros a turistas. É visto pela comunidade internacional e pela própria Turquia como um grupo terrorista separatista. Ainda assim, o primeiro-ministro considera o movimento liderado por Fethullah Gulen é ainda “pior” que o PKK, que quer a independência, enquanto os militares rebeldes querem tomar conta do poder.

“A Nação nunca vais esquecer aqueles que cometeram traição”

O crime de traição à pátria está previsto nas legislações de vários países. Em Portugal, por exemplo, o crime de Traição à Pátria está previsto numa lei que define quais os crimes da responsabilidade de titulares de cargos políticos. Diz a lei que o político apanhado a, “ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência, tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro, ou submeter a soberania estrangeira, o todo ou uma parte do território português, ofender ou puser em perigo a independência do País será punido com prisão de dez a quinze anos”. O governo grego, que está a analisar oito pedidos de asilo de militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado e que fugiram para aquele País já disse que vai ter esse crime em consideração quando tomar uma decisão. À luz do direito internacional, todo o cidadão estrangeiro que peça asilo a um país receando pela sua vida caso regresse ao seu país de origem — seja pela sua religião, pela sua opinião política ou por integrar determinado grupo — tem direito a ser protegido pelo estatuto de refugiado.

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“A pena de morte não está na Constituição, mas podemos pensar em mudanças legislativas.”

A abolição da pena de morte na Turquia foi votada em 2002 pelo parlamento turco no quadro das reformas democráticas necessárias à abertura das negociações com a União Europeia. A medida salvou da morte o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Öcalan. A abolição teve um apoio mais largo do que o previsto. Votaram a favor 256 deputados, manifestando-se contra 162. A principal força de oposição foi o partido de extrema-direita Ação Nacionalista.

“Qualquer país que esteja ao lado do imã Fethullah Gulen não será amigo da Turquia e e será considerado como estando em guerra com a Turquia”

Fethullah Gülen é um líder religioso que vive, desde 1998, num misto de resort e quartel general em Saylorsburg, na Pensilvânia, Estados Unidos. Tem dedicado toda a vida ao estudo da teologia islâmica. Gülen coordena um movimento de inspiração islâmica dedicado à “educação do coração e da alma além da mente”, segundo o próprio e foi acusado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como estando atrás da tentativa de golpe de Estado.