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A Procuradoria da República no Distrito Federal confirmou, esta quinta-feira, à justiça brasileira uma denúncia contra o ex-presidente Lula da Silva por obstruir as investigações da Operação Lava Jato, avança o jornal Estadão. Também estão envolvidos na denúncia o ex-senador Delcídio Amaral, o banqueiro André Esteves e o empresário José Carlos Bumlai, todos relacionados com a Lava Jato.

Segundo lê-se na denúncia, citada pelo site G1, Lula “impediu e/ou embaraçou investigação criminal que envolve organização criminosa, ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Bumlai”.

Em causa está a tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nelson Cerveró, condenado pela justiça brasileira, no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cerveró foi o responsável pela compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, que terá alegadamente resultado num esquema de pagamento de “luvas” a diversos políticos brasileiros.

Através de uma “delação premiada”, mecanismo utilizado por um réu da justiça brasileira que aceite colaborar na investigação ou denunciar outros envolvidos num crime em troca de uma redução de pena, Cerveró terá dito às autoridades que Delcídio do Amaral, na altura senador do PT, terá tentado convencê-lo a não colaborar com a justiça. O pedido teria vindo de Lula da Silva, segundo outra “delação premiada“, desta vez do próprio Delcídio do Amaral, feita em março deste ano.

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Segundo explica o Estadão, a denúncia contra Lula da Silva foi apresentada, no início do ano, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, órgão responsável por julgar os políticos brasileiros que tenham “foro privilegiado”, privilégio concedido a autoridades políticas de serem julgadas por um tribunal diferente ao de primeira instância. Com a cassação do mandato de Delcídio de Amaral, em maio, por quebra de decoro parlamentar, o processo “desceu” para a Justiça Federal de Brasília, que deve decidir sobre a abertura de uma ação penal.

De acordo com o G1, o procurador Ivan Cláudio Marx, responsável pela confirmação da denúncia, fez “acréscimos à peça inicial, com o objetivo de ampliar a descrição dos fatos e as provas”, mas cita os mesmas acusações feitas ao ex-Presidente do Brasil no processo anterior: “embaraço à investigação de organização criminosa, patrocínio infiel [quando advogado não defende interesses do cliente] e exploração indevida de prestígio”.

O Instituto Lula divulgou, esta quarta-feira, um comunicado de imprensa em que afirma que Lula da Silva ” jamais conversou com o ex-senador Delcídio do Amaral”. “O ex-presidente Lula jamais conversou com o ex-senador Delcídio do Amaral sobre ações para obstruir a Justiça ou sobre qualquer ato ilícito. Em depoimento à Procuradoria Geral da República, em 7 de abril, o ex-presidente Lula esclareceu os fatos e desmentiu o ex-senador. Delcídio não apresentou qualquer prova indício, evidência ou testemunho de suas ilações”, justificou.