Hassan Saada, atleta marroquino de 22 anos, foi preso esta sexta-feira. É suspeito de ter tentado violar duas funcionárias da Aldeia Olímpica, na quarta-feira, avança o portal de notícias da Globo.

Saada tinha a sua estreia nos Jogos Olímpicos marcada para sábado, às 12h30, contra o atleta turco Mehmet Nadir Unal. No entanto, terá de ficar de fora, pois foi-lhe decretada prisão temporária, por 15 dias, por um juiz de um tribunal especial do Rio de Janeiro, criado para julgar crimes em grandes eventos.

A polícia brasileira explica que Saada terá chamado as duas funcionárias ao seu quarto para pedir informações, tendo atacado as duas mulheres. O atleta terá apertado as coxas e os seios das mulheres e terá também oferecido dinheiro em troca de favores sexuais. As duas funcionárias acabaram por conseguir fugir.

O atleta deverá ser transferido para uma prisão em Bangu, nos arredores do Rio de Janeiro, ainda esta sexta-feira. Antes de ser transferido, as duas vítimas terão de ir reconhecê-lo pessoalmente, depois de o terem identificado por uma fotografia. A credencial de Saad para participar nos Jogos Olímpicos foi apreendida pela polícia, escreve o jornal O Globo.

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Hassan Saada iria competir no sábado, às 12h30. Seria a sua estreia nos Jogos Olímpicos (Imagem: Facebook)

Na ordem de prisão, citada pelo jornal, lê-se que “é necessária a prisão do indiciado à complementação das investigações, mormente porque livre o mesmo pode influenciar em diligências necessárias, e, até, reincidir na prática de violência de género”.

O facto de Saad não ter residência fixa no Brasil também motivou a prisão. “É público e notório que o indiciado permanecerá pouquíssimo tempo no país”, escreve a juíza Larissa Nunes Saly, que emitiu a ordem de prisão, acrescentando que o dever de cumprir a legislação brasileira é de “absolutamente todos” os que estão no território do país.

“Há boatos de outros casos na Aldeia Olímpica”

Uma responsável das autoridades do Rio de Janeiro, Carolina Salomão, disse ao portal G1 que o caso deve servir “de exemplo”. “Para nós, mulheres, é um desrespeito muito grande. Independentemente da cultura, a lei é o que vale. Pode andar com mais roupa, menos roupa. Há alguns boatos de que houve outros casos na Vila Olímpica”, disse a responsável.

O Comité que organiza os Jogos Olímpicos já declarou que a prisão de Saada ultrapassa o âmbito da competição, e que irá colaborar com a investigação.

Saada é natural de Casablanca, em Marrocos, e ficou em nono lugar no último mundial de boxe, em 2015, em Doha, Qatar.

A confirmar-se, é o segundo caso de violação nestes Jogos Olímpicos, que ainda nem começaram. No domingo, um segurança ao serviço da competição tinha sido preso por ter tentado abusar sexualmente de um bombeiro. O segurança foi apanhado em flagrante a aproveitar o momento de descanso do bombeiro, que estava a dormir, para passar a mão por baixo do uniforme da vítima.