O Observador teve acesso a quatro vídeos onde ficaram registados os momentos das detenções de um grupo de ativistas angolanos no passado sábado, entre eles o rapper luso-angolano Luaty Beirão e outros que também estiveram presos até 29 de junho deste ano por “associação de malfeitores e preparação de golpe de Estado”. Os vídeos, que ainda não tinham sido divulgados, são da autoria de alguns dos ativistas detidos.

O mais recente episódio entre estes ativistas e as autoridades aconteceu no sábado, quando lhes foi vedada a entrada na Comarca de Viana para visitarem o seu amigo Francisco Gomes Mapanda, também conhecido como “Dago”, que cumpre uma pena de oito meses de prisão depois de ter gritado durante a leitura de sentença dos 15+2, dizendo que o julgamento era “uma palhaçada”.

Conforme explicaram ao Observador os ativistas, poucas horas depois de terem sido detidos, os guardas prisionais suspenderam as visitas daquele dia, apresentando explicações contraditórias. “Primeiro disseram que havia uma atividade na prisão, depois disseram que havia uma infestação na sala, depois que havia um visitante importante na prisão, mas eles não nos queriam dizer quem era”, contou ao Observador Luaty Beirão. “Quisemos apresentar reclamação e eles mandaram-nos para o outro lado da prisão, disseram-nos que na porta de visitas ia estar lá alguém para dar respostas.”

Quando chegaram à porta das visitas, que fica virada para a rua, foram recebidos por um superior da prisão, que se furtou a dar respostas aos oito ativistas.”Deu-nos as costas e fechou o portão na nossa cara”, recordou Luaty Beirão. De seguida, os oito ativistas começaram a bater na porta de visitas.

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Nessa altura, começaram as altercações que os vídeos abaixo demonstram. Mais tarde, os oito ativistas viriam a ser brutalmente agredidos, algemados e levados por elementos da Polícia Nacional para o Comando Geral de Viana. “Houve tortura, houve agressões, houve muita violência”, queixou-se Divac Freire, um dos ativistas. O Observador contactou o comandante da Polícia Nacional de Angola em Luanda, Ambrósio Lemos, que recusou comentar a situação.

Os vídeos que se seguem contêm imagens de violência e linguagem que pode ser considerada ofensiva.

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