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Escolas ajudam alunos portugueses a melhorar resultados no PISA

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Os resultados dos alunos portugueses no PISA melhoraram cerca de 8% entre 2000 e 2012, graças às escolas, e apesar da indisciplina dentro da sala de aula. Alunos dizem que se dão bem com professores.

Os alunos portugueses foram os que mais consideraram "ter um bom relacionamento com os professores (86%)"

NUNO VEIGA/LUSA

Autor
  • Marlene Carriço

Os alunos portugueses têm vindo a melhorar o desempenho no PISA — um estudo internacional que avalia a literacia dos jovens de 15 anos, a Matemática, Literatura e Ciências –, aproximando-se da média da OCDE, e o maior responsável por esse progresso é a escola. Esta é a principal conclusão de um documento produzido no âmbito do projeto aQeduto, uma parceria do Conselho Nacional de Educação (CNE) com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Entre 2000 e 2012, os resultados dos alunos portugueses a Matemática melhoraram cerca de 8%, tendo passado de uma pontuação de 450 para 487 pontos. Além de Portugal, só o Luxemburgo e a Polónia apresentaram “crescimentos relevantes nos resultados”. A percentagem de alunos muito fracos nesta matéria caiu de 30% para 21% e aumentaram de 1 para 7% os alunos excelentes.

As melhorias devem-se a “múltiplos contributos, destacando-se o efeito positivo do trabalho das escolas”, com principal destaque para as escolas inseridas em meios socioeconómicos desfavorecidos que conseguiram “resultados de excelência”, lê-se no estudo “Afinal, porque melhoraram os resultados?”, que será apresentado, esta quinta-feira, em Lisboa.

Uma maior percentagem de escolas inseridas em meios socioeconómicos desfavorecidos consegue ter mais alunos com bons desempenhos. Entre 2003 e 2012, a percentagem destas escolas que obtiveram resultados abaixo de 500, reduziu de 65% para 46%.”

Segundo os autores do estudo, “este sucesso pode estar relacionado com: a formação e a motivação dos docentes; a criação de condições para o alargamento da educação pré-escolar; a melhoria dos recursos pedagógicos e uma maior autonomia das escolas“.

A propósito da educação pré-escolar, o estudo revela que “os alunos que frequentam o pré-escolar obtêm, em média, um score PISA a Matemática mais elevado e apresentam uma probabilidade mais baixa de chumbar”. No ano de 2003, pouco mais de 70% dos jovens com 15 anos tinham frequentado o pré-escolar, pelo menos um ano. Uma percentagem que subiu para 85% em 2012. E esta percentagem vai aumentar ainda mais, à medida que se o Governo vai universalizando o pré-escolar a todas as crianças a partir dos três anos.

Mas nem tudo está bem. Os diretores das escolas apontam para problemas relacionados com as instalações, o aumento do número de alunos que chegam ao 9.º ano com pelo menos um chumbo, e a queda do estatuto profissional dos pais. Porém, aos olhos dos diretores, a falta de disciplina parece ser o maior problema.

A indisciplina e a falta de respeito em sala de aula são, segundo os diretores, os problemas que mais afetam o aproveitamento dos alunos e o normal funcionamento da escola.”

Já num estudo anterior, também deste projeto, se concluiu que a indisciplina é maior quando se tratam de professores mais velhos.

Alunos portugueses dão-se bem com os professores

Apesar disso, os alunos portugueses foram os que mais consideraram “ter um bom relacionamento com os professores (86%) e cerca de 25% sentiam-se muito felizes na escola”. E é também em Portugal que os professores são mais bem vistos pelos alunos. Os alunos acham que são bem apoiados, orientados e avaliados. Os autores sublinham ainda algo surpreendente: “Em países com resultados PISA muito elevados os professores não são bem vistos pelos seus alunos”.

A verdade é que do lado dos professores essa visão não é tão romântica. E a prova disso é que Portugal “é o país com a maior percentagem de professores insatisfeitos com a profissão (13%), embora a grande maioria continue satisfeita ou mesmo muito satisfeita (19%)”. Além disso, 48% dos professores sentem-se desrespeitados ou muito desrespeitados e apenas 5% se sentem bastante respeitados.

À semelhança de outros estudos que têm vindo a sair, também neste se desvaloriza a importância do chumbo. “Esta prática não contribui para que os alunos que chumbam alcancem o mesmo nível de aprendizagem que os colegas que frequentam o 9.º ano, mas que nunca chumbaram”

O Projeto aQeduto: avaliação, equidade e qualidade em educação é uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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