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Há três anos, Angelina Jolie anunciou num artigo publicado no The New York Times que tinha realizado uma dupla mastectomia depois de descobrir que tinha quatro em cinco hipóteses de vir a ter cancro da mama. A atriz — que perdeu a mãe, a avó e a tia devido à doença — tomou a decisão depois de ter realizado um teste ao gene BRCA1, responsável por aumentar o risco de desenvolver cancro da mama e dos ovários.

O artigo, “My Medical Choice”, tornou-se viral, gerando um intenso debate sobre a prevenção do cancro da mama e aumentando exponencialmente o número de testes genéticos realizados. De acordo com um estudo publicado recentemente na revista BMJ, nas duas semanas que se seguiram à divulgação do texto de Jolie, o número de exames ao gene BRCA1 aumentou 65% nos Estados Unidos da América.

Cada teste custa cerca de três mil dólares (dois mil euros), o que significa que durante aquelas duas semanas foram gastos 14 milhões de dólares (13 milhões de euros), segundo as contas dos investigadores. O “Efeito Angelina” persistiu durante os meses seguintes — por mês, a média de testes realizados aumento de 16 para 21.

Para o estudo, os cientistas da Universidade de Harvard analisaram os dados fornecidos pelas seguradoras de cerca de dez milhões de mulheres norte-americanas, antes e depois do editorial da atriz, publicado em maio de 2013. Apesar do aumento dos testes, os cientistas descobriram que o número de mastectomias se manteve igual nos meses seguintes, sugerindo que os resultados obtidos não foram preocupantes.

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A mutação do gene BRCA1 é rara e a maioria dos especialistas defende que apenas algumas mulheres, com um determinado historial familiar e um perfil de risco, devem realizá-lo.

O estudo concluiu que as ações das celebridades podem ter “um efeito alargado e imediato no uso dos serviços de saúde”. “Anúncios como este podem ser um meio de baixo custo de chegar a uma a audiência alargada de forma rápida, mas podem não chegar de forma eficaz às sub-populações mais em risco.”