José Eduardo Martins diz que “raramente” acerta “no tempo da política” e que por isso “provavelmente” quando quiser ser líder do PSD não vai ser o momento. Também garante que não está “a fazer o roteiro da carne assada“, que é como quem diz não está a preparar uma futura candidatura à liderança, percorrendo as bases do partido. Mas deixa o que se pode entender como um aviso a Pedro Passos Coelho, caso não consiga atingir os objetivos autárquicos a que se propõe: “Eu, no lugar de Pedro Passos Coelho, se tivesse fixado esse objetivo e não o conseguisse, demitia-me“.

O social-democrata que é sempre colocado como um dos nomes que pode suceder à liderança de Pedro Passos Coelho deu uma entrevista à Antena 1 em que afirma que “quem fixa um objetivo para o partido que não é muito ambicioso e não o consegue tem seguramente de refletir se foi ou não útil à consecução desse objetivo. Eu no lugar de Pedro Passos Coelho, se tivesse fixado esse objetivo e não o conseguisse, demitia-me. Mas Pedro Passos Coelho não é como a maior parte dos outros políticos e a resistência e resiliência dele têm aliás dado bons resultados no passado”, sublinhou.

Já sobre a estratégia do PSD, concretamente a partir do Parlamento onde esta semana se juntou à esquerda para chumbar a TSU, José Eduardo Martins defende o partido. “Se o PS quer, para exercer o poder, um novo paradigma das maiorias parlamentares que lhe dá vantagem, tem de ter um programa à esquerda” e diz que “quem não tinha respaldo para prometer o que prometeu foi o Governo”. Ainda atira à maioria de esquerda que diz não ter “um programa comum” e vê como “importante e pedagógico que o PSD contribua para sublinhar que essa maioria de esquerda não existe”.

Mas nem tudo na estratégia do PSD é elogiado por José Eduardo Martins onde vê “o presidente e a direção absolutamente convencidos que este rumo do PS acabará por colocar o país numa situação parecida com a de 2011. Não acho que esse perigo [do resgate] exista verdadeiramente porque a situação da União Europeia mudou bastante”. Sobre o PSD diz que o partido, nesta situação, tinha “de multiplicar ideias e protagonistas”. Quando confrontado se ele mesmo é um protagonista: “Um protagonista da intervenção do PSD? Objetivamente que não”.

“Normalmente passo sempre um bocadinho ao lado” dos momento político. É assim que define a sua posição face à intervenção política que possa ter no futuro do partido e garante não ter “apoiantes, nem claques, nem aparelho. Nem ando a fazer o roteiro da carne assada”.