A Didimo, liderada por Verónica Orvalho, conquistou o primeiro lugar na competição internacional Women Startup Challenge VR and AI, depois de apresentar uma tecnologia que permite a qualquer pessoa criar um avatar que fala e se move num mundo virtual. O concurso, promovido pela organização norte-americana Women Who Tech, com a parceria de Craig Newmark, fundador da Craiglist (rede de comunidades online que disponibiliza classificados e fóruns locais para empregos, vendas, relações, serviços), teve como alvo projetos disruptivos desenvolvidos por mulheres, nas áreas da realidade virtual e inteligência artificial.

A Didimo, única finalista portuguesa na competição, voltou para casa com um prémio no valor de 50 mil dólares (cerca de 47 mil euros). Para Verónica Orvalho, o impacto da vitória foi “imediato”. A sessão final do concurso decorreu a 15 de fevereiro, nas instalações da Google, em Nova Iorque.

Tínhamos marcado uma reunião com um fundo de investimento em Nova Iorque para meados de março. No mesmo dia [em que ganharam o concurso] à noite, recebi uma mensagem do vice-presidente do fundo a dizer que podia falar connosco no dia seguinte. Entretanto surgiu outra empresa que quer que lhe façamos uma proposta para um projeto. Em Nova Iorque tudo acelerou a mil por hora”, conta a líder da Didimo ao Observador.

A Didimo, startup de base tecnológica nascida na Universidade do Porto, permite criar personagens virtuais 3D (avatares) a partir de uma fotografia tirada com um telemóvel. A tecnologia permite a cada pessoa ter a sua identidade virtual e pode ser usada no cinema, jogos de vídeo, mas também na medicina, desporto ou retalho. Em 2015, a tecnologia foi distinguida com primeiro prémio do iUP25k, o Concurso de Ideias de Negócio da Universidade do Porto.

A primeira edição do Women Startup Challenge realizou-se em junho de 2015, em Washington DC

No concurso, as dez finalistas – escolhidas entre mais de 200 candidatas – tiveram o desafio de, em quatro minutos, apresentar os respetivos projetos nas áreas de realidade virtual e inteligência artificial, perante um painel internacional de investidores como Kate Shillo (Galvanize Ventures), Kai Bond (Comcast Ventures) e Lisa Stone (cofundadora BlogHer).

Assim que acabei de fazer a apresentação, algumas empresas disseram-me logo para trocarmos os contactos. Vou encontrar-me com duas em São Francisco na próxima semana. Mas era um ambiente muito competitivo, mesmo à americana”, admite a líder da Didimo.

O prémio de 50 mil dólares já tem destino. “A ideia é investir na estratégia de marketing e investir no desenvolvimento do produto para end user (utilizador final). A tecnologia core (base) já está desenvolvida e muito avançada. Essas são as duas prioridades. Depois é tentar atrair mais clientes para conseguir fazer duas contratações, uma para a área do marketing digital e outra para a área comercial”, indica Verónica Orvalho.

Para acompanhar a “filosofia” por trás do Women In Tech, Verónica quer ajudar a “mudar algumas estatísticas” (menos de 7% do financiamento que é levantado vai para empresas lideradas por mulheres) quando se fala em empreendedorismo no feminino. Por isso, parte do prémio vai ser alocado para organizar uma competição para women developers (programadoras).

Queremos abrir um concurso onde programadoras possam usar a nossa tecnologia para criar um aplicação para end users (utilizadores finais). Uma competição global, onde não importa a idade”, diz a líder da Didimo.

No pódio da competição ficaram ainda a Spirit AI e Addicaid, ambas sediadas em Nova Iorque, que receberam um prémio de 10 mil dólares (9,4 mil euros) em serviços jurídicos.

A Spirit AI está a desenvolver uma ferramenta para criar mundos, histórias e personagens mais expressivos em jogos e realidade virtual. Com esta tecnologia, a startup pretende ainda combater o assédio online em jogos de vídeo com vários jogadores.

A Addicaid é uma plataforma digital de bem-estar dirigida a pessoas com transtornos e dependência de substâncias, bem como aos amigos e família. Funciona com um painel de indicadores para centros de tratamento e companhias de seguros com o objetivo de organizar a prestação de cuidados de forma inteligente e com baixo custo.