Depois do caso dos vouchers em Portugal, o “sacogate” em Espanha: também aqui ao lado a arbitragem está na mira dos principais clubes e tem gerado trocas de palavras azedas a propósito do triunfo do Real Madrid frente ao Villarreal, por 3-2, depois de ter estado a perder por 2-0.

No seguimento de um encontro marcado por várias decisões polémicas (possíveis irregularidades nos golos do Villarrreal e um penalty mal assinalado a favor dos merengues quando estavam em desvantagem, o que acabou por levar a amarelos e expulsões no seguimento dos protestos), o presidente do Villarreal, Fernando Roig, mostrou todo o seu desconforto por ter visto o árbitro Gil Manzano, bem como os seus assistentes, sair do estádio com um saco de ofertas do Real Madrid. “Creio que depois de uma grande penalidade que não foi, não podemos falar de uma remontada do Real Madrid. Todo o mundo diz que a mão é um ressalto, mas um ressalto não é penalty. Gil Manzano e o seus assistentes saíram do estádio com sacos do Real Madrid. Não me parece bem. Chamou-me a atenção, não sei o que teriam lá dentro”, afirmou no programa “Tiempo de Juego” da Cadena Cope.

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Do lado do Real Madrid, como referem os jornais Marca e As, gerou-se um tremendo mal-estar pelas declarações, que pareciam insinuar algo mais do que “um detalhe de cortesia que é tido em todos os jogos e que outros clubes também costumam ter”. Em paralelo, os merengues, indignados por verem a reviravolta no marcador justificada por um eventual favorecimento, planeiam também apresentar uma queixa na Liga contra… as transmissões televisivas, que estarão a ser parciais na seleção de imagens (e terão agora voltado a ser).

Por forma a estancar as proporções que o assunto já ganhava, o Comité de Árbitros de Espanha pronunciou-se sobre o famoso saco, explicando que continha apenas merchardisig sem valor material. “Seis ou sete porta-chaves, três ou quatro canetas e 15 ou 20 pins”, diz o jornal Marca, que acrescenta ser uma prática habitual no futebol e à qual acresce, nos jogos no Santiago Bernabéu, uma camisola com a partida em questão estampada. Mais: existem até imagens do mesmo saco passar na zona mista nas mãos de… jogadores adversários.

Este Villarreal-Real Madrid não se ficou por aqui a nível de polémicas, de forma direta ou indireta. Quando chegou ao carro, Gil Manzano e os seus assistentes tinham no carro um papel escrito à mão com a palavra “Ladrões”, algo que terá descrito no relatório e que poderá valer um castigo aos visitados. Já Gerard Piqué, internacional espanhol do Barcelona, fez questão de não passar ao lado nas redes sociais do alegado favorecimento aos merengues. “Contra as mesmas equipas. Oito pontos. E os recortes são da imprensa de Madrid, caso existam dúvidas”, escreveu o jogador na legenda de uma montagem com artigos sobre decisões erradas de arbitragem. Também as páginas de apoio ao Barça quiseram meter a colher do assunto, acusando Gil Manzano de ser adepto… do Real Madrid.