Conseguiria imaginar que, depois daquilo que se viu no ano passado, o FC Porto teria uma defesa tão sólida com Felipe e Marcano como centrais (entre os laterais, ter Maxi Pereira, Layun e Alex Telles não é assim tão, tão diferente)? Provavelmente não. Mas tem. Ao ponto de ser a melhor da Europa, com apenas 11 golos sofridos.

Na Alemanha, o líder Bayern sofreu 13 golos em 23 partidas; em Inglaterra, o vice-líder Tottenham consentiu 18 tentos em 26 encontros (melhor do que o Chelsea); em Espanha, a melhor defesa é a do Villarreal, atual sexto classificado, com 19 golos sofridos em 26 jogos; em Itália, a líder Juventus consentiu 17 tentos em 26 partidas; em França, o vice-líder PSG sofreu também 19 golos mas em 28 jogos.

Como se pode então enganar esta muralha? O Observador foi fazer as contas e tentar perceber as melhor opções para marcar aos dragões. Conclusões: mais de metade dos tentos marcados aos azuis e brancos foram de bola parada e existe uma zona particularmente eficaz para se rematar, à entrada da área.

Aqui fica a anatomia dos 11 golos sofridos pelo FC Porto na Primeira Liga até ao momento:

Marcelo (Rio Ave, fora), 1.ª jornada (3-1, V)

No seguimento de um canto na esquerda do ataque do Rio Ave, Heldon coloca na zona da pequena área ao primeiro poste e Marcelo cabeceou cruzado sem hipóteses para Casillas (36’)

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Slimani (Sporting, fora), 3.ª jornada (1-2, D)

Após uma falta sobre Slimani perto da área, Bruno César bateu um livre direto quase perfeito ao poste, Gelson Martins faz a recarga de pé esquerdo para defesa de Casillas mas Slimani, quando a bola ainda saltava sobre a linha, encostou de pé direito (14’)

Gelson Martins (Sporting, fora): 3.ª jornada (1-2, D)

Bryan Ruíz beneficia de um ressalto na área depois de um corte à queima-roupa da defesa azul e branca, assiste Gelson Martins e o extremo, à entrada da área, remate rasteiro sem hipóteses para Casillas (26’)

Henrique (Boavista, casa): 6.ª jornada (3-1, V)

Fábio Espinho bate um livre longo descaído sobre a direita do ataque axadrezado e Henrique sobe mais alto do que os centrais para cabecear (5’)

Lisandro López (Benfica, casa): 10.ª jornada (1-1, E)

Na sequência de um canto curto batido da esquerda do ataque dos encarnados, André Horta cruza longo para o coração da área e Lisandro López, de cabeça, consegue desviar a bola de Casillas na compensação (90+2′)

Djoussé (Marítimo, casa): 15.ª jornada (2-1, V)

O avançado dos insulares consegue recuperar uma bola à entrada do último terço do ataque, de carrinho, avança para uma zona mais central do terreno e dispara um tiro de pé direito ao ângulo num golo candidato aos melhores do ano (85’)

Rafael Lopes (Desp. Chaves, casa): 14.ª jornada (2-1, V)

Numa saída rápida para o ataque, o avançado não vê linhas de passe e arrisca o remate de pé direito de fora da área, com a bola a embater num defesa portista e a passar por cima de Casillas (12’)

Guedes (Rio Ave, casa): 18.ª jornada (4-2, V)

Bruno Teles avança pela esquerda e faz um cruzamento enganador que leva a direção da baliza. Casillas tem dificuldades em afastar e a bola fica à mercê de Guedes, que encosta fácil na pequena área para a baliza de pé direito (35’)

Roderick (Rio Ave, casa): 18.ª jornada (4-2, V)

Layun tem uma entrada precipitada sobre Gil Dias dentro da área e os vila-condenses beneficiam de uma grande penalidade, bem transformada por Roderick (48’)

Dankler (Estoril, fora): 19.ª jornada (2-1, V)

No seguimento de um livre lateral marcado por Mattheus na esquerda do ataque canarinho, Dankler recebe a bola no peito na área e atira em jeito de pé direito ao ângulo (90+2’)

Alan Ruíz (Sporting, casa): 20.ª jornada (2-1, V)

Jogada de Schelotto pela direita, cruzamento de Gelson Martins para a área, amortecimento de Bas Dost e Alan Ruíz, à entrada da área, atira forte de pé esquerdo para o golo (60’)