Joe Berardo autorizou que fossem feitos novos estudos laboratoriais ao quadro O Chafariz d’El-Rey, uma das obras centrais da exposição A Cidade Global, patente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, até abril, avança o Público. A autenticidade da pintura, datada de finais do século XVI e atribuída a um pintor holandês desconhecido, foi posta em causa pelo historiador Diogo Ramada Curto num artigo publicado no semanário Expresso antes da abertura ao público da exposição, inaugurada a 23 de fevereiro.

Apesar de o quadro já ter sido avaliado anteriormente, em Portugal e no estrangeiro, o Comendador aceitou que fosse alvo de novos testes. “Querem fazer mais estudos à pintura? Façam à vontade. Não há melhor publicidade para esta pintura e para a dos ingleses do que mais análises nos laboratórios”, disse Berardo ao Público.

Além de O Chafariz d’El Rey, a pintura Vista da Rua Nova dos Mercadores também foi questionada por Diogo Ramada Curto. É esta que serve de mote à exposição do Museu Nacional de Arte Antiga, que tem como ponto de partida uma investigação feita por Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe. Foram elas, aliás, que fizeram a curadoria da mostra, dedicada à Rua Nova dos Mercadores e à Lisboa renascentista.

Em entrevista ao Observador, a historiadora Annemarie Jordan Gschwend colocou totalmente de lado a hipótese de o quadro, que descobriu em 2009 numa mansão em Oxfordshire, Inglaterra, ser uma falsificação. “Acho que não há e quem diz que sim está a exagerar”, disse, admitindo a possibilidade de o segundo quadro, pertencente à Coleção Berardo, ser falso. “Há dúvidas”, afirmou.

Apesar da certeza da curadora, a polémica instalou-se, levando o diretor do Museu de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, a pedir aos proprietários das duas pinturas que autorizassem uma nova peritagem. O estudo do quadro Vista da Rua Nova dos Mercadores, pertencente à Kelmscott Manor Collection — Society of Antiquaries of London, ainda não foi autorizado, segundo o Público.