É tempo de Páscoa, Jonas tem a idade de Cristo, era demasiado fácil. Deixemos cada um gozar esta festa da família descansado da vida e falemos só de futebol, sem analogias e alegorias ao período do ano que atravessamos. Mas com a pontuação certa: mais uma vez, Jonas voltou a fazer o parênteses entre linhas que desbloqueou o jogo e deu a vitória ao Benfica. Ponto final. Parágrafo.

Ficha de jogo

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Benfica-Marítimo, 3-0

29.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)

Benfica: Ederson; Nélson Semedo, Luisão, Lindelöf, Grimaldo; Fejsa, Pizzi (Filipe Augusto, 69’); Salvio, Rafa (Cervi, 80’), Jonas (Zivkovic, 61’) e Mitroglou

Treinador: Rui Vitória

Suplentes não utilizados: Júlio César, André Almeida, Samaris e Carrillo

Marítimo: Charles; Patrick, Zainadine, Raúl, Luís Martins; Fransérgio, Alex Soares (Jean Cléber, 88’), Erdem Sem; Brito (António Xavier, 74’), Edgar Costa (Éber Bessa, 86’) e Keita

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Treinador: Daniel Ramos

Suplentes não utilizados: Abedzadeh, Coronas, Djoussé e Deyvison

Golos: Luís Martins (34′, p.b.) e Jonas (36′ e 45+1′)

Ação disciplinar: nada a registar

Porque esta foi uma semana atípica, com ainda mais “futebol” fora das quatro linhas do que é normal. Ele foi a cartilha, o murro de Samaris, as bocas de Jonas, as claques não legalizadas, os regulamentos aprovados pelos próprios clubes e que agora não servem. Tudo com o Benfica no epicentro. A coisa mexeu com o grupo encarnado, de tal forma que nunca se tinha visto Rui Vitória tão duro e assertivo numa conferência de antevisão como a de ontem (mesmo, no que toca ao grego, a ultrapassar o inultrapassável – a agressão, que existiu). “Estas coisas unem-nos ainda mais”, assegurou. E foi isso que se viu na receção dos campeões nacionais ao Marítimo, que terminou com a vitória por 3-0 escrita em menos de 15 minutos ainda na primeira parte.

Que os insulares costumam ter dificuldades na Luz, isso já se sabia (este ano já foram brindados com um 6-0 para a Taça de Portugal, no ano passado tinham também sofrido seis golos para a Primeira Liga). Mas que tivessem uma postura tão defensiva, isso não se esperava. O Benfica teve mérito, porque a sua pressão logo em zonas adiantadas quebrou por completo a primeira fase de construção do conjunto de Daniel Ramos. Ainda assim, foi pouco. Muito pouco. Apenas 30 metros, com todos atrás da linha da bola e linhas muito juntas.

Por isso, os primeiros dez minutos não valeram uns caracteres de texto. E pouco depois só contaram porque Ederson quis tentar uma vírgula arriscada com um adversário por perto e por pouco não colocou um ponto final no marasmo que se estava a viver, jogando-se quase todo o encontro no meio-campo insular.

Se ainda existissem dúvidas em relação ao mau dia do Marítimo, a confirmação de um fim de tarde para esquecer veio pouco depois, quando Charles defendeu com os pés um corte atabalhoado de Raul após cruzamento de Rafa que por pouco não originou um auto-golo (17′). Foi aí que entrou Jonas em ação e já se sabe: quando o pistoleiro brasileiro começa a disparar, raramente sai pólvora seca. Mas mais importante do que os tiros enquadrados (sete só nos primeiros 45 minutos, um recorde na prova), foi o posicionamento do avançado que fez toda a diferença, aproveitando aqueles palmitos de metros quadrados ainda sem dono entre a linha de defesas e médios no corredor central. O golo era uma questão de tempo, mas acabaria por surgir por linhas tortas.

Após mais uma grande jogada de Rafa pela esquerda (um dos melhores jogos na presente temporada), Luís Martins, lateral esquerdo formado no Benfica, fez o primeiro auto-golo como sénior num corte infeliz para a própria baliza. Estávamos com 34 minutos de jogo. 94 segundos depois, 2-0: mais uma jogada iniciada na esquerda, toque de Pizzi para o meio e Jonas, sempre na cabeça da área, atirou seco e rasteiro para o segundo golo. Parecia que nada mais poderia acontecer a esta sombra de Marítimo que se apresentou na primeira parte na Luz, mas um mal (ou dois, neste caso) nunca vem só: já no período de descontos antes do intervalo, Jonas encostou, à segunda, para o 3-0 no primeiro tento apontado na sequência de um canto desde o golo de Lisandro López no Dragão.

A etapa complementar teve mais para contar mas menos história. Teve para contar que Jonas, por volta da hora de jogo, caiu no relvado e saiu com queixas no gémeo (logo ele, que tem estado a ser gerido com pinças por Rui Vitória); que Mitroglou e Salvio tanta vontade tinham de marcar que até se atrapalhavam com a bola nos pés na hora da verdade; que Rafa está num bom momento, sentindo-se no seu habitat natural quando joga em transições; que Pizzi jogou apenas 70 minutos e foi sacado da partida para não ver nenhum cartão e estar disponível para o dérbi. De história, além de meia dúzia de oportunidades desperdiçadas pelo Benfica, não houve golos nem amarelos. Ah, e para dar a volta ao texto, o Marítimo lá conseguiu fazer um remate enquadrado, fraco, fraquito. Ah, e Zainadine ameaçou mais uma vez marcar um auto-golo mas a bola saiu perto do poste para canto.

No relvado ou nas bancadas, as atenções estavam já centradas no dérbi da próxima jornada com o Sporting, em Alvalade. Uns, os onze dentro de campo, faziam a gestão possível numa altura em que o mais importante é mesmo ganhar os três pontos; outros, os quase 60 mil fora de campo, não se poupavam a esforços no apoio à equipa. No próximo sábado, grande parte da história desta Primeira Liga pode ser escrita (se amanhã o FC Porto não escorregar em Braga, claro, o que mudaria as contas). Dentro e fora de campo, todos percebem isso.