Apesar de ter mais um ano de contrato, Nuno Espírito Santo não será o treinador do FC Porto na próxima temporada. A SAD azul e branca já estava desde ontem a trabalhar no perfil do sucessor do atual técnico, avançando para a rescisão do vínculo, algo que o técnico não desejava. Por norma, e tendo em conta o que costuma acontecer neste tipo de casos, é provável que os dragões continuem a pagar ao antigo guarda-redes o salário que tinha nos azuis e brancos (cerca de um milhão de euros limpos, a nível de Primeira Liga apenas superado por aquilo que Jorge Jesus aufere no Sporting) até encontrar uma nova etapa da curta carreira que leva no banco de suplentes. Pode também haver um acordo com pagamento de parte ou totalidade dos ordenados até junho de 2018.

“O FC Porto e Nuno Espírito Santo chegaram na tarde desta segunda-feira a um entendimento para a rescisão do contrato de trabalho do treinador por mútuo acordo”, anunciou o clube em comunicado.

Como já ontem tínhamos referido, há três grandes razões que levam a este desenlace. À cabeça, como é fácil de entender, a falta de títulos: o FC Porto não ganha nenhum troféu desde agosto de 2013, naquele que é o maior jejum de títulos da era Pinto da Costa no clube e que, de forma paralela, afetou, e muito, a parte financeira (por isso mesmo, é quase obrigatório que dois/três dos mais valiosos ativos acabem por sair); por outro, a ligação com administradores da SAD e adeptos, que ficou demasiado desgastada nos últimos meses, como se percebeu ontem após o final do encontro em Moreira de Cónegos; por fim, o discurso que Nuno foi tendo ao longo dos últimos meses: não “pegava” e, em algumas semanas, como na última, quando deu os parabéns ao Benfica pelo título, dissonante face ao que era veiculado pela comunicação do clube.

É na sucessão que estão agora centradas as atenções da SAD portista e, sobretudo, de Pinto da Costa. Que, com Antero Henrique fora da estrutura há muitos meses, tem chamado a si as principais decisões, mesmo tendo Luís Gonçalves, um elemento de grande confiança, como diretor geral do futebol azul e branco. E é depois da definição do perfil do substituto de Nuno Espírito Santo que avançarão os primeiros contactos com o escolhido.

Se a opção recair num português, há dois nomes já ventilados. Marco Silva, que terminou a temporada no Hull City, não conseguindo evitar a descida de divisão da equipa, é um treinador há muito aprecidado no Dragão mas que só agora poderá ser opção: a cláusula assinada aquando da rescisão com o Sporting impedia-o de orientar FC Porto e Benfica até junho de 2017, algo que está prestes a terminar. Pedro Martins, um técnico que subiu a pulso na carreira com passagens por Marítimo e Rio Ave antes de terminar a Primeira Liga pelo V. Guimarães no quarto lugar (apurando-se também para a final da Taça de Portugal), é outra das hipóteses.

Ainda assim, há quem defenda que o FC Porto terá de procurar um treinador com um currículo maior, mais largo. Não só numa ótica de diminuir o risco da aposta, mas também para testar um outro “perfil” para reentrar na rota das conquistas. Que não tem de ser estrangeiro: Paulo Sousa vai sair da Fiorentina. Mas há mais alternativas.