A Distrital do PSD/Lisboa, liderada por Miguel Pinto Luz — vice-presidente da câmara de Cascais –, vai convocar eleições para depois de 20 de junho, quando termina o mandato da atual direção, a semanas das eleições autárquicas. A decisão contraria a recomendação do partido aprovada pela direção nacional e pelo Conselho Nacional do PSD. A hipótese mais forte para avançar na linha da atual liderança é Pedro Pinto — deputado que foi derrotado à Câmara de Sintra em 2013, por um independente que tinha sido do partido.

Pedro Pinto confirmou ao Observador que o seu nome está em cima da mesa e que está a pensar nessa possibilidade. “Ainda não confirmo. Falaram comigo, mas ainda não tenho decisão tomada”. O antigo e vice-presidente da câmara de Lisboa de Pedro Santana Lopes e ex-líder da JSD, também é, neste momento, o presidente da Mesa da Assembleia Distrital de Lisboa, que tem a competência de convocar as eleições. Questionado pelo Observador pelo facto de estar a violar uma recomendação do partido, Pedro Pinto explica:

Recebi uma carta do presidente da Distrital a dizer que terminava mandato. E como presidente da Assembleia Distrital, respondo à Distrital, e não aos órgãos nacionais. A Distrital é mais importante”.

A estrutura lisboeta está a violar a disposição do partido, tomada para que confrontos internos não prejudiquem as eleições autárquicas. Nos Princípios de Orientação Estratégica para as autárquicas de 2017, um documento aprovado pela Comissão Política Nacional e depois pelo Conselho Nacional, o PSD recomendou que os órgãos que terminassem os mandatos estivessem “em pleno funcionamento e estabilidade, a fim de maximizar a capacidade de resposta aos desafios” das eleições de outubro. E foi mais específico: “Distritais que cessem os seus mandatos entre Abril e Outubro de 2017, convoquem as respetivas eleições em Novembro e Dezembro de 2017”, pode ler-se no documento.

É uma situação “normal”, diz um membro da direção da distrital lisboeta do PSD. “é apenas uma recomendação que se faz sempre e já aconteceu outras distritais fazerem o mesmo.” Miguel Pinto Luz, o presidente cessante, é o braço direito de Carlos Carreiras na câmara de Cascais, que também é vice-presidente do partido e coordenador autárquico das eleições de 2017.

Para acentuar o clima de guerra interna, esta quinta-feira deram entrada no Conselho de Jusrisdição Distrital duas impugnações do processo autárquico que resultou na escolha de Teresa Leal como candidata à câmara de Lisboa. O Observador confirmou a informação, mas este organismo distrital vai passar o processo para o Conselho de Jurisdição Nacional do partido porque é este o órgão competente para julgar decisões tomadas ao nível distrital.

A concelhia de Lisboa também está sem liderança desde que Mauro Xavier se demitiu há semanas e não foram convocadas eleições. O PSD na capital está em convulsão interna. Primeiro, porque Teresa Leal Coelho é uma candidata em que o aparelho não acredita, e ainda não apareceu a fazer qualquer ação de campanha. Só falou logo depois de ser anunciada, numa entrevista ao Observador em que cometeu várias gaffes. Depois, com a concelhia demissionária, a distrital vetou todos os nomes para as juntas de freguesia apresentados pela fação liderada por Rodrigo Gonçalves, um dos maiores cabos eleitorais do PSD na capital. A seguir, o próprio pai de Rodrigo Gonçalves — Daniel Gonçalves Silva — foi vetado e afastado das listas, sendo o único presidente de Junta de Freguesia do PSD em Lisboa que não se recandidata. A decisão teve como origem uma investigação do Observador sobre uma série de adjudicações suspeitas e suscitou a Rodrigo Gonçalves o comentário de que Passos Coelho estava a ser “leninista”.