Há aniversários que nunca se esquecem e ainda hoje Paulo Fonseca deve recordar, pelas piores razões, o dia em que fez 41 anos: foi a 5 de maio de 2014 que foi anunciada a rescisão de contrato com o FC Porto. Naquela altura, era mesmo uma questão de tempo – desde a derrota caseira com o Estoril, duas semanas antes, que a contestação dos adeptos tinha chegado a um ponto sem retorno. Seguiram-se empates com Eintracht Frankfurt (Liga Europa) e V. Guimarães (Primeira Liga), as últimas etapas de um caminho condenado à saída. Porque foi nesse desaire no Dragão com os canarinhos que tudo ficou decidido. E contra um treinador de quem agora se fala: Marco Silva.

Marco Silva era o treinador da moda nessa altura e, por mais do que uma vez, foi avançada a possibilidade de ser o próprio a substituir Paulo Fonseca. Logo nessa altura, em março, ou no início da temporada seguinte. À primeira hipótese, o FC Porto “adiou”: optou por Luís Castro, uma solução caseira para levar a temporada até ao fim; à segunda, chegou tarde: o Sporting já tinha assegurado o treinador para substituir Leonardo Jardim, depois de uma proposta de três milhões de euros do Mónaco que levou o madeirense para França. E veio Julen Lopetegui.

Passou o espanhol, passou José Peseiro, que saiu no final da época 2015/16.

E Marco Silva voltou a ser hipótese, defendida de forma firme por algumas pessoas da estrutura azul e branca. No entanto, havia outro entrave: a cláusula que tinha assinado quando rescindiu com o Sporting, que o impedia de treinar FC Porto e Benfica até ao final da temporada de 2016/17. Ainda assim, impedimentos à parte, concluiu-se que Nuno Espírito Santo seria melhor opção, até pela necessidade de tentar encontrar referências que transportassem a mística do clube para a equipa, algo que faltara antes.

Passou Nuno Espírito Santo e, apesar da entrada direta da Champions e de ter mais um ano de contrato, chegou a acordo para rescindir. E saiu.

Os treinadores passaram. Tantos como a série de ocasiões para quebrar um jejum de títulos que se arrasta desde agosto de 2013. Agora, três anos depois da primeira vez de ter sido ponderado, Marco Silva foi um dos nomes prioritários para assumir o comando dos dragões. Mas, depois de muita informação e contra-informação, o treinador estará prestes a assinar contrato com os ingleses do Watford, permanecendo assim na Premier League depois da passagem de quase seis meses que teve pelo Hull City, que desceu ao Championship.

Além do Watford, que foi treinador pelo italiano Walter Mazzarri, também o Southampton terá mostrado interesse no técnico. O Crystal Palace, depois da saída de Sam Allardyce, juntou-se ao lote de interessados.

Marco Silva teve um início de carreira… atípico: em maio de 2011, abandonou a carreira de jogador no Estoril; em junho assumiu funções como diretor de futebol dos canarinhos; em outubro, rendeu Vinicius Eutrópio como treinador. E a coisa correu tão bem que acabou mesmo por garantir a subida de divisão e como campeão. Nas duas épocas seguintes, somou um quinto e um quarto lugar da Primeira Liga, assegurando as melhores classificações de sempre do clube.

Em 2014 dá o primeiro grande salto da carreira, assinando pelo Sporting. No entanto, aquilo que deveria ter sido uma aventura de quatro anos resumiu-se só a um: após um longo litígio com a SAD verde e branca, e mesmo ganhando a Taça de Portugal em 2015, acabou naturalmente por rescindir. Na temporada de 2015/16, conheceu a primeira experiência no estrangeiro, sendo campeão ao serviço dos gregos do Olympiacos antes de chegar a acordo para sair.

O Hull City, onde chegou no início de janeiro, foi a última experiência. Em 22 jogos, ganhou oito, empatou três e perdeu 11, não conseguindo prolongar a esperança que ainda deu aos adeptos dos tigers de permanecerem na Premier League. Na última jornada, já condenado, sofreu a pior derrota de sempre: 7-1 em casa do Tottenham. Mas nem isso desviou o alegado interesse de conjuntos ingleses como o Watford ou o Southampton.