O site norte-americano Axios — citando fontes próximas de Donald Trump — está a avançar que o presidente dos Estados Unidos se prepara para anunciar a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. O anúncio formal de Trump (tal como o presidente dos Estados Unidos anunciara no Twitter no sábado) deverá ser feito nas próximas horas.

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A decisão de Trump não é, contudo, uma surpresa total. Durante a cimeira do G7 em Itália, na semana passada, Trump recusou-se a apoiar o acordo, alegando que precisava de mais tempo para tomar uma decisão final. Ainda segundo o Axios, os moldes da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris estarão a ser discutidos nos gabinetes da Casa Branca, contando com a presença de Scott Pruitt, presidente da EPA, a agência norte-americana para a proteção ambiental. A saída formal dos Estados Unidos poderá levar três anos até estar concluída.

Esta semana, o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, havia deixado um “recado” a Trump enquanto discursava na Escola de Negócios da Universidade Stern, em Nova Iorque.

Os efeitos das alterações climáticas são perigosos e estão a agravar-se. Se algum governo duvida da vontade e da necessidade globais deste acordo, essa será uma razão para todos os outros se unirem ainda com mais força e manterem o rumo”, afirmou Guterres, concluindo: “É absolutamente essencial a implementação do Acordo de Paris”.

Embora o Secretário-geral das Nações Unidas considerasse “importante” a permanência dos Estados Unidos no Acordo de Paris, Guterres garantiria também que este não acabará com a saída norte-americana: “A mensagem é simples: o comboio da sustentabilidade já deixou a estação. Entrem a bordo ou deixem-se ficar para trás”.

O Acordo de Paris foi alcançado na COP21, a conferência ambiental da ONU, realizada na capital francesa no final de 2015. O acordo foi estabelecido entre 195 países, sendo ratificado por 147 — incluindo a China e os Estados Unidos, os dois maiores poluidores do planeta. O Acordo de Paris foi uma das últimas decisões de fundo tomadas por Barack Obama na Casa Branca.

Um acordo que Donald Trump (quando não era ainda candidato) sempre atacou.