O líder máximo das FARC, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, pediu no domingo uma supervisão internacional da aplicação do acordo de paz na Colômbia devido a um “reiterado incumprimento” por parte do Governo.

“Perante o reiterado incumprimento do acordo de paz por parte do Governo, [nós], as FARC, pedimos supervisão internacional”, escreveu “Timochenko” na sua conta na rede social Twitter.

Existe já um mecanismo tripartido responsável por monitorizar o cumprimento do cessar-fogo bilateral e definitivo em que participam representantes das Nações Unidas, do Governo colombiano e das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O apelo de “Timochenko” para uma supervisão internacional enquadra-se numa série de mensagens que divulgou durante o fim de semana sobre problemas na implementação da paz.

O dirigente das FARC, que regressou há uma semana ao país, procedente de Cuba, denunciou no sábado que um helicóptero militar sobrevoou sem aviso a zona de normalização, onde decorre o processo de desmobilização, em Caño Indio, município de Tibú, em Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela; e alertou, no domingo, para a detenção de três guerrilheiros que levavam a cabo trabalhos relacionados com a implementação do acordo.

O líder das FARC afirmou estar a considerar “ordenar o adiamento” da entrega das armas — que, segundo recentemente acordado, deve ser concluída no próximo dia 20 — devido à captura de um guerrilheiro identificado como “Yimmi Ríos”, cuja ordem de detenção tinha sido suspensa.

O guerrilheiro foi detido no domingo, em Bogotá, depois de a polícia lhe ter pedido os documentos de identificação e constatado que era alvo de mandados de captura por vários delitos.

O gabinete do Alto Comissariado para a Paz informou que os mandados de captura do guerrilheiro tinha sido suspensos — por decreto presidencial e por ordem da procuradoria —, mas que estes estavam emitidos no nome pelo qual é conhecido — “Yimmi Ríos” — e não no seu verdadeiro nome, que é o consta do seu bilhete de identidade.

Essa explicação foi ratificada pelo Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que veio garantir tratar-se apenas de “um problema de identidades, de trâmites burocráticos”, que estava “em processo de resolução”.

O Governo colombiano e as FARC firmaram, no final do ano passado, um acordo de paz para pôr fim a um conflito armado com mais de meio século.