Tecnologia

App que liga migrantes a médicos vence Hack for Good da Gulbenkian

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A equipa vencedora da maratona de programação promovida pela Gulbenkian durante o fim de semana desenhou uma aplicação móvel que quer facilitar o acesso de mulheres migrantes a médicos especialistas.

Daniela Seixas, Teresa Fernandes, Carina Branco e Rosário Costa formam a equipa vencedora da segunda edição da Hack for Good

Nelson Martins

Uma app de saúde para mulheres, uma plataforma para promover reencontros à mesa e uma aplicação com imagens para tornar a linguagem universal. São estas as ideias vencedoras da segunda edição da Hack For Good, a maratona de programação (hackathon) promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian e que, durante o fim de semana, transformou uma galeria de exposições num laboratório tecnológico. Objetivo? Desenvolver soluções para melhorar a vida de refugiados e migrantes.

O primeiro lugar foi para a Cura, uma aplicação móvel que quer facilitar o acesso de migrantes à saúde, através da assistência por médicos voluntários credenciados. É dedicada às mulheres, porque “normalmente elas são o centro da saúde das famílias”, refere Daniela Seixas, médica neurorradiologista e fundadora da TonicApp, citada em comunicado.

O projeto foi desenvolvido por um grupo multidisciplinar que faz parte da comunidade Portuguese Women in Tech e que juntou, além da médica, Teresa Fernandes (consultora do Conselho de Administração da AICEP), Carina Branco (advogada) e Rosário Costa (designer e programadora na Palo Alto).

A Cura foi desenhada para permitir aos utilizadores recorrer a imagens para facilitar a comunicação. Integra também tradução simultânea, para que uma indicação dada pelo utilizador, na sua própria língua, seja automaticamente traduzida para o idioma do recetor, preservando sempre o anonimato de cada mulher. Esta solução tem como base o trabalho voluntário dos médicos. Nas 30 horas em que durou a maratona digital, e através da rede de contactos da equipa, 82 médicos voluntariaram-se para integrarem o projeto, diz a organização.

Partilhar refeições e experiências, quem sabe através de imagens

No segundo lugar do pódio ficou a equipa liderada por Hugo Menino Aguiar, fundador da SPEAK, com o projeto Share your Meal. É uma plataforma online que quer pôr em contacto as pessoas locais e os migrantes a viverem na mesma cidade, através de experiências “à mesa” e da partilha de refeições.

Com tradução automática, qualquer família pode inscrever-se como “guesthouse” e receber ou ir a casa de outra família. O objetivo é criar laços de amizade e uma rede de apoio para pessoas que passam por uma fase de adaptação a uma nova cidade, novos hábitos e modos de vida.

O projeto Icon Speech, desenvolvido por uma equipa da Compta (que ficou no segundo lugar na edição de 2016 com o projeto Ximi) conquistou o terceiro lugar. Esta solução quer ser um facilitador da comunicação dos migrantes. Como? Através de imagens pré-selecionadas, a Icon Speech ajuda a criar e a transmitir uma mensagem de forma intuitiva, numa linguagem universal para que todos consigam comunicar. Aos ícones, juntam-se o texto e a voz.

A tecnologia desenvolvida consegue traduzir uma sequência de ícones numa frase em duas línguas – a de origem e a do recetor –, sendo que este algoritmo vai aprendendo novos códigos e conseguindo, dessa forma, evoluir de acordo com as utilizações. No futuro, esta equipa quer integrar a tecnologia em serviços oficiais e fazer parcerias com entidades públicas e privadas para que este seja um serviço sem custos para os utilizadores.

Chegar ao Porto e a Coimbra

No lançamento da segunda edição da Hack for Good, em abril, Luís Jerónimo, gestor de projetos da Fundação Calouste Gulbenkian, disse ao Observador que não queria que as ideias desenvolvidas durante aqueles dois dias ficassem por ali. O objetivo passava, por isso, por tentar implementar esses projetos, como aconteceu com a Ximi, a aplicação móvel que quer “mudar a vida de mais de 1,2 milhões de portugueses que vivem em condições de isolamento”, ao permitir a recolha de dados biométricos (temperatura do corpo, ritmo cardíaco) dos utilizadores e oferecer-lhes exercícios físicos e mentais através de jogos.

A maratona de programação reuniu 36 equipas, cerca de 150 participantes, com idades entre os 18 e os 55 anos, que durante 30 horas trabalharam para desenvolver soluções para a crise migratória europeia, apoiadas em tecnologia e inovação.

Os vencedores receberam um prémio de 5.000 euros e o bilhete direto para o programa de aceleração em empreendedorismo social Montepio Social Tech. Os segundos classificados levaram para casa 2.000 euros e os terceiros tiveram direito a um smartphone para cada membro da equipa.

A edição deste ano contou com o apoio do Alto Comissariado para as Migrações e da Techfugees, comunidade global que chegou a Portugal em novembro do ano passado, por altura da Web Summit, para ajudar a promover soluções para a crise migratória na Europa apoiadas na tecnologia. Foi também essa a ideia de Mike Butcher, editor da publicação TechCrunch, quando lançou esta organização sem fins lucrativos, em Londres, em 2015.

No encerramento da maratona digital, a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, anunciou que a iniciativa vai voltar a realizar-se e lançou a possibilidade de se estender a outros pontos do país, como Coimbra e Porto, refere a fundação em comunicado.

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