Sebastião Bugalho, porta-voz e vice-presidente do PSD, acusa o socialista Miguel Prata Roque, antigo secretário de Estado e agora comentador televisivo, de colocar “em perigo a integridade física e a família daqueles que desempenham funções públicas” e fala mesmo em “discurso de ódio”. “Não aceito normalizar a invasão da privacidade e a violação da segurança dos homens e das mulheres que servem o Estado.”
O social-democrata refere-se assim a um vídeo publicado por Prata Roque, gravado no exterior, em que o ex-secretário de Estado fala sobre alegados detalhes da casa de António Leitão Amaro, ministro da Presidência, parecendo sugerir que se encontra junto à morada do governante. No mesmo vídeo, publicado nas redes sociais, o socialista alega que Leitão Amaro beneficia de um regime de IMI a que não tem direito e termina, dirigindo-se aos seguidores, com a seguinte mensagem: “As regras a cumprir são só por ti. ‘Eles’ é que não as cumprem”.
Também nas redes sociais, Sebastião Bugalho atira a Miguel Prata Roque, a quem se refere apenas como um “comentador televisivo e militante partidário”. “Há uma larga diferença entre liberdade de expressão e discurso de ódio. E há uma larga diferença entre exercer o direito à manifestação e colocar em perigo a integridade física e a família daqueles que desempenham funções públicas”, escreve o porta-voz do PSD.
“Gosto de viver num país em que nos manifestamos à porta da residência oficial do Presidente da República e do primeiro-ministro. É da democracia. Mas não aceito normalizar a invasão da privacidade e a violação da segurança dos homens e das mulheres que servem o Estado. As instituições estão lá – e em Portugal estão mesmo – para escutar quem deseja ser ouvido. A morada dos cidadãos que, circunstancialmente, servem essas instituições não tem nada com isso”, continua Sebastião Bugalho.
“Tanto os manifestantes, como a comunicação social, como os partidos políticos, deveriam entendê-lo.
Só há ‘casa comum’ preservando a dignidade pessoal de quem a serve. É essa linha – que separa a instituição do cidadão – que permite a cada um ir à sua vida quando os eleitores assim decidem. E é essa linha que torna possível o escrutínio mais acérrimo, no devido lugar, e o resguardo mais legítimo, a que todos temos direito. Todos, lamento, também inclui quem está na política. Caso contrário, acabamos com ela. Um abraço profundamente solidário ao visado. O que penso sobre o autor do vídeo ficará para outro dia.”
O Observador procurou um esclarecimento por parte de Miguel Prata Roque, que preferiu não comentar as declarações de Sebastião Bugalho, nem o vídeo publicado nas redes sociais. O caso a que se refere Prata Roque nasceu em novembro de 2025. Nessa altura, o Correio da Manhã escreveu que Leitão Amaro e a mulher tinham investido um total de 1,34 milhões de euros na compra e reabilitação de uma moradia geminada devoluta, em Lisboa, mas que o Fisco tinha atribuído ao imóvel, para efeitos de pagamento do IMI, um Valor Patrimonial Tributário (VPT) de 251.070 euros, por considerar que o imóvel tinha mais de 60 anos. Contas feitas, Leitão Amaro, escrevia o mesmo jornal, pagava ‘apenas’ 753 euros por ano de IMI.
Ao jornal, o ministro explicou tudo o que tinha feito. “Como consta da licença de construção e telas finais, a obra incluiu demolição do interior e da parede exterior a tardoz, com preservação da fachada principal e das duas paredes laterais (trata-se de moradia geminada). A AT recebeu da minha parte toda a informação relativamente ao que foi preservado e reabilitado do edifício existente, e ao que foi demolido, reconstruído e ampliado. O imóvel tem, por isso, uma combinação dessas partes, que foram rigorosamente comunicadas à AT. Eu próprio entendi que a avaliação inicial que tinha sido feita pela AT [anterior à atual], era ‘demasiado baixa’. E, por isso, fiz eu próprio espontaneamente um pedido de reavaliação e reenviei à AT todos os elementos e descrição das obras realizadas.”
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]