Após anos a resistir à ideia de um Mac com ecrã tátil, a Apple cedeu. A tecnológica apresentou esta quarta-feira o MacBook Pro com um ecrã PROLED XDR, que tem um ecrã com capacidade touch.

O novo computador estará disponível em dois tamanhos, de 14 e 16 polegadas. O ecrã do equipamento tem luminosidade até 2000 nits e uma taxa de atualização de 120 Hz.

“Adoramos o Mac e é por isso que tanta gente escolheu a Apple desde o início”, disse John Ternus, o CEO da Apple, no evento de apresentação em Los Angeles esta quarta-feira. “E o Mac nunca esteve melhor, nem nunca foi tão poderoso.”

Através do ecrã tátil, a Apple afirma que se “abre uma dimensão totalmente nova para os profissionais interagirem com os seus conteúdos, desde a manipulação de modelos 3D até à execução de instrumentos musicais no ecrã”.

O MacBook com touch pede ’emprestada’ a Dynamic Island ao iPhone, a zona à volta da câmara em que são apresentadas informações rápidas ao utilizador — por exemplo, sobre a música que está a ser reproduzida.

Em comparação com o MacBook Pro ‘normal’, estas versões são ligeiramente mais leves: a versão de 14 polegadas pesa pouco mais de 1,360 kg e a de 16 polegadas chega a 1,800 kg.

Os MacBook Pro com ecrã tátil estarão disponíveis com diferentes configurações de espaço e processador (ou o M5 Pro ou o M5 Max) no mercado a partir de 6 de novembro.

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São equipamentos bem mais caros que os MacBook Pro sem touch: arrancam nos 3.399 euros (14 polegadas) na loja portuguesa, enquanto os MacBook Pro começam nos 2.349 euros. A versão do MacBook com touch e ecrã de 16 polegadas arranca nos 3.999 euros.

Há vários anos que os fabricantes de computadores com Windows — a própria Microsoft, na gama Surface, a Lenovo, a HP, ou a Dell — têm equipamentos com ecrã sensível ao toque. Tanto Steve Jobs como Tim Cook rejeitaram a ideia de um ecrã tátil no Mac. Em 2010, o criador da empresa disse que os portáteis desta tendência eram “ergonomicamente terríveis”. Em 2012, Tim Cook afirmou que estes equipamentos eram tão apelativos quanto unir uma torradeira a um frigorífico, lembra a Reuters. Agora, com John Ternus como CEO, a Apple estreia-se nesta categoria.

A última vez que a Apple tentou incorporar tecnologia touch no Mac foi em 2016, quando lançou um equipamento com a Touch Bar, uma área que ficava por cima do teclado e permitia personalizar atalhos. Não foi um sucesso de mercado e a Touch Bar foi descontinuada em 2023.

Segundo a consultora IDC, os computadores com ecrã touch representaram 16% de todo o mercado de portáteis. São mais valorizados no segmento empresarial: a nível global, 66% de todos os equipamentos deste género foram comprados por empresas. Porém, refere numa nota Francisco Jerónimo, vice-presidente de equipamentos da IDC, no mercado de consumo apenas 11% dos consumidores apostam em equipamentos deste tipo — “e raramente estão disponíveis a pagar extra por isso”, algo que a Apple está a fazer.

“A entrada da Apple não irá alterar drasticamente o mercado dos computadores pessoais, mas vai mudar o panorama dos portáteis com ecrã tátil”, diz. “Quando a empresa que passou 15 anos a argumentar contra a tecnologia tátil conclui que esta tem lugar num portátil, o debate sobre se a tecnologia tátil é ou não um mero artifício chega ao fim”, resume.

A dúvida passa a ser agora “quem é que consegue fazer a melhor implementação”, diz. “Para os fabricantes, a oportunidade reside em utilizar essa validação para elevar a tecnologia tátil numa gama de preços mais elevada, porque a Apple acaba de demonstrar que é possível pedir aos compradores que paguem por ela. Para os utilizadores, a vantagem é uma funcionalidade que pode melhorar significativamente os seus fluxos de trabalho através de uma implementação mais eficiente.”