Está prestes a começar mais uma edição do Super Bock Super Rock, no Parque das Nações, em Lisboa. Os bilhetes para esta quinta-feira e os passes de três dias estão esgotados e espera-se que entre os quatro palcos do festival circulem cerca de 20 mil pessoas. De acordo com a organização, há apenas mil bilhetes disponíveis para os últimos dois dias, sexta-feira e sábado.

As portas abrem às 15h, mas os bilhetes podem ser trocados a partir desta quarta-feira, até às 22h, nas bilheteiras do festival no Parque das Nações. No primeiro dia do festival, quinta-feira, o horário de troca de pulseiras será alargado até às 4h, de modo a agilizar a entrada no recinto. Numa apresentação à imprensa na terça-feira, Luís Montez aconselhou aos espectadores para que cheguem cedo ao recinto. “A polícia vai fazer revistas demoradas. O ideal é não trazerem mochilas”, disse.

A organização aconselhou o uso de transportes públicos para chegar e sair do Parque das Nações. A partir da 1h da manhã, hora a que fecha o Metro, os festivaleiros terão “transporte gratuito” garantido até às 5h, na carreira da Carris que faz o trajeto entre a Gare do Oriente e o Cais do Sodré.

À semelhança do ano passado, os concertos foram divididos por quatro palcos: o principal, o Palco Super Bock (MEO Arena), e três secundários, o Palco Carlsberg (nas traseiras do MEO Arena), o Palco LG by SBSR.FM (nas escadarias do MEO Arena, viradas para Vasco da Gama) e o Palco EDP (debaixo da pala do Pavilhão de Portugal). É neste último que começam diariamente os concertos, sendo que caberá aos Alexander Search, projeto do pianista Júlio Resende com Salvador Sobral na voz, fazer as honras da casa. (Pode consultar o mapa do recinto aqui e os horários dos concertos aqui). Há muito para ver e ouvir, mas escolhemos quatro concertos que não pode mesmo perder neste primeiro dia de Super Bock Super Rock.

Alexander Search

Palco EDP (17h30)

Fernando Pessoa criou Alexander Search quando ainda viva na África do Sul, país para onde se mudou com a mãe quando esta casou com João Miguel Rosa, cônsul interino em Durban. Foi aí que nasceram os irmãos e também os primeiros textos assinados pelo heterónimo inglês, um dos mais conhecidos de Pessoa, que agora empresta o nome ao novo projeto do pianista e compositor Júlio Resende que conta com Salvador Sobral na voz. Quase 120 anos depois de ter sido criado, Search saiu do papel e tornou-se música, numa mistura de indie-pop, eletrónica e rock.

“Alexander Search é uma banda de língua inglesa que cresceu na África do Sul, mas que está radicada na Europa, mais concretamente Portugal, ‘paraíso à beira mar plantado’ como dizia o seu maior poeta, Fernando Pessoa”, refere a biografia da banda disponível no Facebook.

Todas as canções do primeiro álbum da banda, que será apresentado no Palco EDP do Super Bock Super Rock, foram baseadas em textos de Search. Além disso, também os elementos da banda foram buscar inspiração ao poeta português, adotando nomes de heterónimos de Fernando Pessoa. Resende também convidou os restantes músicos a desenvolverem uma biografia própria, tal como a banda tem a sua. O vocalista Salvador Sobral (ou melhor, Benjamin Cymbra) até usa em palco uns óculos redondos, muito semelhantes aos de Pessoa.

The New Power Generation feat. Bilal

Palco Super Bock (20h40)

Os The New Power Generation são a banda de Prince, não há outra forma de os descrever. Apresentados formalmente em 1991, estrearam-se no álbum Diamonds and Pearls, do ano seguinte, acompanhando o cantor até ao final da sua vida (Prince morreu em abril de 2016). Nesta vinda a Portugal, a banda vem acompanhado por Bilal, cantor, músico e compositor sediado em Nova Iorque, conhecido por ter colaborado com alguns dos grandes nomes da música norte-americana, como Kendrick Lamar, Jay-Z ou Beyoncé.

Mas Bilal pode não ser o único a subir ao palco com os The New Power Generation. Segundo a Blitz, o grupo confidenciou a Luís Montez, organizador do Super Bock Super Rock, que convidou Ana Moura para participar no concerto. “Vamos ver se ela vai subir ao palco”, disse Montez à Blitz, recordando que a fadista “fez história no festival, quando atuou em dueto com Prince” em 2010, quando o festival ainda decorria no Meco. O cantor ainda voltou a Portugal depois disso, em agosto de 2013, altura em que deu um concerto-surpresa no Coliseu de Lisboa.

Kevin Morby

Palco EDP (21h20)

Em agosto de 2016, a jornalista do Observador Sara Otto Coelho escrevia que “Luís Montez, diretor da empresa concorrente Música no Coração, assistia atento ao homem escolhido pela Ritmos para abrir o palco principal do 24º Vodafone Paredes de Coura, esta sexta-feira”. “Estará a pensar contratá-lo para um dos seus festivais? A julgar pelo que acabámos de ver, esperemos que sim.” O “homem escolhido” era Kevin Morby e a Sara não podia estar mais certa — Morby é, este ano, um dos nomes mais aguardados do cartaz do Super Bock Super Rock.

Apesar de ter ficado conhecido como o baixista dos Woods e como um dos líderes dos Babies, foi a solo que o norte-americano acabou por ganhar maior protagonismo. Depois da passagem pelo Paredes de Coura em agosto do ano passado e outra pelo Auditório de Espinho, Morby está de volta a Portugal (que ele diz ser o seu país favorito) para apresentar o seu novo álbum de originais, City Music. Editado em junho, o disco já valeu vários elogios ao músico (a Pitchfork deu-lhe 8.1 pontos em 10) e tem sido aclamado como o melhor de Morby até então.

Red Hot Chili Peppers

Palco Super Bock (23h55)

Os Red Hot Chili Peppers dispensam apresentações. Com mais de 30 anos de carreira, mais de 60 milhões de discos vendidos e seis prémios Grammy conquistados, os norte-americanos são tidos como uma das bandas de rock mais importantes das últimas décadas. Para o concerto no Super Bock Super Rock, vão trazer na bagagem The Getaway, o último álbum de estúdio lançado no ano passado. Mas o alinhamento também deverá ser recheadinho de grandes hits, como “By The Way”, “Californication” ou “Scar Tissue”. O último concerto da banda, a 1 de julho em Chicago, foi exatamente assim.

O grupo liderado por Anthony Kiedis e Flea não vinha a Portugal há mais de dez anos (tocaram no Rock in Rio em 2006). Além disso, o concerto desta quinta-feira marca o regresso dos Red Hot Chili Peppers à Europa, já que ultimamente têm tocado mais nos Estados Unidos da América e Canadá.