Olhando para os melhores tempos do ano entre os 31 saltadores presentes nestes Mundiais de Londres, Christian Taylor surgia como o único com uma marca acima dos 18 metros (18,11) e é claramente o grande favorito a mais um ouro, depois das vitórias nos Mundiais de 2011 e 2015 e nos Jogos de 2012 e 2016 (só falhou no Campeonato do Mundo de 2013, onde se quedou pela quarta posição). Ao ponto de, num vídeo publicado pela Eurosport, Jonathan Edwards, recordista mundial do triplo salto e agora comentador da estação, utilizar o americano como exemplo para explicar os segredos para um daqueles saltos que todos sonham. Como seria de esperar, confirmou a qualificação para o concurso decisivo e logo no primeiro salto. Tal como Nelson Évora, campeão que, aos 33 anos, mostra que é um animal competitivo que não se cansa de lutar por vitórias.

Com uma marca de entrada de 17,20, conseguida quando conquistou em Belgrado a medalha de ouro no Campeonato da Europa de Pista Coberta, o português integrou o grupo A da qualificação juntamente com Taylor, o também americano Chris Bernard e o cubano Andy Díaz, que conseguiu este ano bater o seu recorde (17,40). No outro grupo ficaram assim nomes como os americanos Will Claye (17,91 em 2017) e Donald Scott e o cubano Cristian Nápoles (17,27). Ausentes estão Dong Bin, medalha de bronze nos Jogos que se lesionou durante um estágio em França, o compatriota chinês Cao Shuo, o colombiano Jhon Murillo e o alemão Max Hess, que se lesionou durante o aquecimento para a qualificação.

Taylor confirmou o apuramento direto para a final logo no primeiro salto com 17,15 (o mínimo de qualificação estava nos 17 metros), sendo depois seguido pelo compatriota Chris Benard (17,20) e pelo cubano Cristian Nápoles (17,06). Já Nelson Évora começou o concurso com um 16,64, o nono melhor registo na primeira ronda. A seguir, o português ficou apenas a seis centímetros da qualificação direta (16,94), mas na sexta posição geral e com o melhor registo ao Ar Livre este ano (tinha feito 16,91 em Paris), apenas superado pelos 17,20 dos Europeus de Pista Coberta. Além dos três apurados, ficou apenas com o cubano Andy Díaz (16,96) e o americano Will Claye (16,95) à frente mas, mais importante, conseguiu logo aí um fosso grande para o 12.º melhor no final da segunda ronda (16,66). O último salto do português acabou por ser nulo.

Assim, a lista de finalistas para o concurso da próxima quinta-feira à noite ficou assim organizada: Chris Benard (Estados Unidos, 17,20, marca de qualificação), Christian Taylor (Estados Unidos, 17,15), Cristian Nápoles (Cuba, 17,06), Andy Díaz (Cuba, 19,69), Will Claye (Estados Unuidos, 16,95), Nelson Évora (Portugal, 16,94), Alexis Copello (Azarbeijão, 16,89), Pablo Torrijos (Espanha, 16,80), Jean-Marc Pontvianne (França, 16,78), Yordanys Duranona (Dominica, 16,71), Ruiting Wu (China, 16,66) e Lázaro Martínez (Cuba, 16,66).

Num ano de mudança na carreira, em que trocou o Benfica pelo Sporting e deixou a ligação de mais 20 anos com João Ganço para começar a treinar em Madrid com Iván Pedroso, Nelson Évora, o melhor europeu nos Jogos de 2016 com a sexta posição (17,03, melhor registo da temporada) já tinha conseguido revalidar o título do triplo salto nos Campeonatos de Portugal, além de ter conquistado o ouro na mesma disciplina nos Europeus de Pista Coberta.

Aos 33 anos, Évora, um dos quatro portugueses campeões olímpicos depois de Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro, soma ainda um ouro em Campeonatos do Mundo (2007) e dois em Europeus de Pista Coberta (2015 e 2017), entre outras medalhas. Como júnior, tinha vencido no mesmo ano de 2003, em Tampere, o salto em comprimento e o triplo salto.

Olhando apenas para as participações em Campeonatos do Mundo, Nelson Évora começou com um 14.º lugar na primeira participação, em 2005 (16,60), a que se seguiu a vitória alcançada em 2007, nos Mundiais de Osaka (17,74). Em 2009, no ano após a conquista do ouro olímpico em Pequim, terminou na segunda posição com 17,10, apenas atrás do britânico Phillips Idowu; em 2011, acabou no quinto posto com o máximo da temporada (17,35), numa prova ganha por Christian Taylor. Após falhar a participação em 2013 por lesão, o português regressou em 2015 para conseguir uma medalha de bronze (17,52), atrás de Taylor e Pedro Pablo Pichardo, cubano que representa nesta altura… o Benfica.