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Coliseu do Porto

33 anos depois, Teatro São Carlos aceita levar ópera ao Coliseu do Porto

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A ópera, uma das lacunas culturais da cidade, tem sido cavalo de batalha do Coliseu, que anuncia agora um protocolo para 'descentralizar' o Teatro Nacional de São Carlos.

Elisabete Matos (à direita) regressa à sala onde se estreou com 18 anos.

© Orlando Almeida / Global Imagens

Depois de 33 anos de ausência, o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) regressa ao Coliseu do Porto com a ópera “Turandot” de Giacomo Puccini, com Elisabete Matos no papel principal e a maestrina Joana Carneiro na direção da Orquestra Sinfónica. Um regresso “muito ansiado”, escreve o São Carlos em comunicado. “Uma colaboração que pretendemos regular”, responde o diretor do Coliseu ao Observador.

A ópera, dirigida por Domenico Longo, terá outra particularidade especial. Foi no Coliseu do Porto que Elisabete Matos se estreou, com apenas 18 anos, antes de partir para a Escola Superior de Madrid. A família encheu a sala portuense para a ver fazer de Frasquita, uma personagem da ópera “Carmen”.

O regresso da ópera ao Coliseu foi um dos cavalos de batalha de Eduardo Paz Barroso quando assumiu a presidência da estrutura. “É necessário que o sr. ministro e o sr. secretário da Cultura se capacitem de que não faz sentido haver um grande orçamento para o Teatro Nacional de ópera e isso estar confinado a Lisboa“, disse em 2016, em entrevista ao Observador.

“A questão da ópera no Porto é central do ponto de vista da oferta cultural”, insiste, um ano depois, agora com novidades nessa matéria. Por enquanto, a apresentação é única e mereceu um “esforço financeiro”. Mas Eduardo Paz Barroso adianta que há um protocolo de compromisso em que Coliseu e OPArt — organismo que gere o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado — se comprometem a colaborar e a “programar mais dois espetáculos em 2018“.

Ainda não estão definidas as óperas que o TNSC levará ao Coliseu do Porto, embora “Requiem de Verdi” e “Traviata” estejam na equação. O segundo regresso à cidade já tem, no entanto, data marcada. Nos dias 5 e 7 de janeiro, o São Carlos apresenta no Teatro Nacional de São João a ópera “The Rape of Lucretia”, de Benjamin Britten, na encenação de Luís Miguel Cintra. A ópera, que nunca foi apresentada em Portugal, estreará um mês antes, no TNSC. A última vez que o São Carlos se apresentou no São João foi há 41 anos, em 1976.

Quando Eduardo Paz Barroso assumiu a presidência da Associação Amigos do Coliseu, em outubro de 2014, levou ao então Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier (o Estado é um dos acionistas do Coliseu) um dossier para discussão. A ópera, uma das grandes lacunas culturais da cidade, era um dos pontos.

Condições técnicas, garante, não faltam. “Nós podíamos fazer aqui um festival internacional de ópera, temos dois fossos para orquestra. Se tem de haver descentralização, o Coliseu está claramente identificado para isso, com a vantagem de poder ter bilhetes muito acessíveis com lugares muito bons.” Para o concerto encenado de “Turandot”, há bilhetes a partir dos 10€ (galerias).

“É irrisório dar à Cultura menos do que 1% no Orçamento de Estado”

“No que diz respeito à cultura, acho que o Governo ainda não olhou completamente para o Porto da maneira que seria a mais interessante”, diz o presidente, embora reconheça que tem sido “produtivo em múltiplos aspectos”. Em relação ao projeto da ópera, pede que “o Estado assuma, do ponto de vista financeiro, as suas responsabilidades”, embora não divulgue os custos que implica levar “Turandot” ao Coliseu.

A poucos dias do início da discussão do Orçamento de Estado, Eduardo Paz Barroso gostava que o Ministério da Cultura contemplasse um contrato-programa com a duração de três anos, “com uma verba realista, objetivos e avaliações bem definidos”, para o Coliseu. Neste momento, a estrutura tem de se candidatar, todos os anos, a concursos da Direção-Geral das Artes.

Outro dos desejos do Coliseu é a da alteração do mecenato. A maior parte da receita do Coliseu advém maioritariamente de espetáculos comerciais, pela função de acolhimento da sala. No entanto, “essas receitas nunca são suficientes para o Coliseu ser autossustentável, nem sequer poder pagar os encargos correntes, quanto mais para fazer a manutenção dos equipamentos cénicos“, lamenta o presidente, que pede ao Ministério da Cultura que reconheça o direito ao Coliseu de poder usufruir de mecenato — com todas as vantagens fiscais que isso implica. “Para nós irmos à procura de mecenas para projetos culturais.” Por ter atividade comercial, não pode usufruir dessa vantagem.

Apoiante de Rui Moreira, o presidente faz “os maiores votos de que os poderes público ao nível do Governo se possam inspirar no exemplo do investimento que o Porto fez na Cultura”. Até porque “esse investimento da Cultura replica-se na economia em muitos aspectos”. E sublinha: “É irrisório dar à Cultura menos do que 1% no Orçamento de Estado.”

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