EasyJet

Crise nas “low-cost”. Há muito tempo que só o preço não chega, diz diretor da EasyJet

Diretor da companhia em Portugal diz que a EasyjJet beneficiou da crise em concorrentes "low-cost" e admite que mais companhias caiam com subida do combustível. Só o preço não chega, diz José Lopes.

BERND SETTNIK/EPA

A EasyJet, tal como outros concorrentes, beneficiou com os efeitos da crise que atingiu algumas companhias de baixo custo, em particular a Monarch e a Air Berlin, que deixaram de voar. Para o diretor comercial da companhia em Portugal, é o resultado de uma estratégia que vai além do preço.

Os resultados apresentados esta quarta-feira pela transportadora com sede no Reino Unido apontam para um recorde no número de passageiros, mais 10% para 80 milhões no ano fiscal que terminou em setembro. O recorde também aconteceu em Portugal que teve até um crescimento mais expressivo do que aquele que foi sentido na rede global – mais 15% para seis milhões de passageiros — sentido em todos os aeroportos onde a companhia opera — Lisboa, Porto, Faro e Funchal.

Para José Lopes, diretor comercial da EasyJet Portugal, as quedas recentes de algumas companhias aéreas podem ser explicadas pela grande pressão da concorrência que está a fazer sair do mercado empresas menos eficientes. Companhias como a Monarch e a Air Berlin — esta última está a ser adquirida pela EasyJet — transitaram do segmento charter e adotaram, sobretudo, uma política de tarifas de baixo custo (low-far). “Este é um mercado muito competitivo e os players mais fracos não aguentaram”. Muita da capacidade ineficiente entrou no mercado por causa do preço baixo dos combustíveis e “os players mais fracos não estão a aguentar”.

A Air Berlin e a Monarch entraram em processo de insolvência em 2017, um caminho que também apanhou empresas de bandeira como a Alitalia. A pressão competitiva vai aumentar por causa da tendência de aumento no preço dos combustíveis, avisa. “É uma situação que tem beneficiado empresas fortes e financeiramente capazes de se proteger com hedging (instrumentos financeiros para cobertura de risco do preço). Será uma má notícia para companhias mais fracas que não vão conseguir proteger-se”.

Empresas financeiramente sólidas como a EasyJet, diz, “têm saído fortalecidas”. José Lopes distingue, na crise low-cost, o caso da concorrente Ryanair, que foi forçada a suspender milhares de voos por causa de falhas na gestão das escalas de férias dos pilotos. “Foram problemas operacionais”, mas que acabaram por beneficiar todos os concorrentes.

Registando que esta companhia — a Ryanair — tem uma estratégia mais baseada no preço, José Lopes acrescenta que a EasyJet, tem um produto mais focado no consumidor, mais híbrido, que aposta na relação entre qualidade e preço. “Desde há muito tempo que só o preço não é suficiente. É preciso ter uma melhor relação qualidade/preço. Nunca nos baseamos só no preço porque não gera fidelização”. José Lopes diz que três em cada quatro passageiros já eram clientes, o que, do seu ponto de vista tem a ver só com o preço, mas também com a forma de viajar. Apesar de considerar que a empresa está no bom caminho, reconhece que há sempre que aprender com estes processos e realça que é preciso sempre “ouvir o que as pessoas têm a dizer”.

Apesar do crescimento, no mercado nacional, acima dos números globais, a estratégia em Portugal está alinhada com a global. “O nosso principal enfoque é o fortalecimento e a melhoria da qualidade”, o que passa pelo reforço das rotas já existentes. Mas a empresa está atenta a oportunidades de mercado e já houve mais oferta entre Faro e França e novas rotas entre o Funchal e a Suíça.

Maior preocupação: como crescer até o Montijo estar pronto

Como um dos principais players (operadores) no aeroporto de Lisboa, a EasyJet foi ouvida pela gestora na preparação do plano de expansão da capacidade aeroportuária lisboeta já entregue ao Governo. “Sempre dissemos que esta solução — que passa pela construção de um aeroporto complementar no Montijo — é de vital para importância para o crescimento do tráfego em Lisboa”, apesar de José Lopes reafirmar que a transportadora não quer usar este novo terminal. Mas a principal preocupação da EasyJet é a resposta que será dada no reforço da capacidade da Portela até 2022, quando estará operacional a nova solução.

“A principal preocupação são estes quatro anos que faltam para a implementação mais definitiva da pista complementar no Montijo. Como vamos conseguir continuar a crescer e aproveitar as coisas que estão a correr mal em destinos concorrentes. Se não conseguirmos crescer na Portela, vamos perder oportunidades. A economia portuguesa vai perder oportunidades”.

Daí que o enfoque seja, agora, o de assegurar que a NAV, empresa pública de navegação aérea, instala o software e o novo sistema de radar que permita uma gestão mais eficiente da pista da Portela.

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