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O Semi, apresentado na passada semana, permitiu ter uma ideia bastante aproximada sobre o que podemos esperar do primeiro camião eléctrico de médio e longo curso produzido pela Tesla. É claro que as características técnicas são fundamentais, mas não é de descurar as condições no interior da cabina, onde os condutores passam a vida, não só a conduzir, como até a dormir. E foi precisamente sobre este ponto que incidiu a última divulgação da Tesla.

O que agora ficámos a saber são os pormenores da cabina do Semi, divulgados através de um vídeo realizado pelo fabricante. Nele é possível confirmar que a posto de condução é central, o que associado a uma posição de condução mais baixa – não há o imenso motor a gasóleo para integrar por baixo do condutor – torna mais fácil o acesso a bordo.

A Tesla fala numa cabina expansível, o que significa que pode ser mais ou menos comprida, consoante o camião se dedique a viagens mais longas ou mais curtas, a realizar em perímetro urbano e semi-urbano. Isto deixa antever versões com apenas banco de condutor e mais dois traseiros retrácteis, que se possam dobrar quando não são necessários, que podem evoluir até uma solução com zona para dormir posterior.

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Através do vídeo ficámos igualmente a saber que o Semi será fornecido com todo o hardware necessário para todo o tipo de automatismos, da condução semiautónoma às assistências ao condutor, tal como acontece nos Model S e X, além do software que lhe permite estar em permanente contacto com a sede e com os restantes veículos da empresa. É isto que vai facilitar as deslocações em pelotão, com distâncias relativamente pequenas entre camiões para usufruir das vantagens aerodinâmicas, que podem incrementar para 46,7% a economia face aos motores diesel.

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A vantagem neste capítulo para a Tesla é que enquanto muitos fabricantes de veículos pesados trabalham afincadamente para desenvolver sistemas que permitam operar os camiões em pelotão, a marca americana já tem o sistema disponível, pois trata-se de uma pequena evolução face ao que já está montado nos automóveis da marca.

Todas as informações relativas a estas soluções, bem como muitas outras, estão disponíveis para o condutor através de dois ecrãs, herdados do Model 3 e colocados junto à base dos pilares do pára-brisas. Nestes ecrãs são ainda projectadas as imagens dos retrovisores exteriores, que não existem fisicamente, tendo sido substituídos por câmaras para ajudar ao apuramento aerodinâmico do Semi, cujo Cx é de 0,36, contra 0,65 a 0,70 de um camião convencional a gasóleo. É também através destes ecrãs que o condutor pode receber ajudas visuais para melhor manobrar o camião em zonas apertadas, ou para encostar no cais, para as operações de carga e descarga.

Camião da Tesla é uma surpresa. E das bem grandes

Já se sabe que a potência do Semi vai ser brutal, bem como a sua força, a ponto de lhe permitir ser três vezes mais rápido (descarregado e de 0 a 96,6 km/h) do que um concorrente com motor turbodiesel, aqueles cuja potência oscila entre os 550 e 700 cv, e que debitam uma força entre 2.900 a 3.500 Nm. Mas o camião eléctrico vai ser ainda mais veloz do que a concorrência com carga máxima e a subir (a puxar 36 toneladas e numa subida de 5%), condições em que o Semi da Tesla roda sem problemas a 104 km/h, enquanto os adversários a gasóleo não conseguem ultrapassar 72 km/h.

Sabe-se igualmente que, com base nos preços praticados nos EUA ao nível da energia eléctrica e do gasóleo (onde este é particularmente barato), o Semi consegue ser muito mais económico de operar (custo por quilómetro percorrido, incluindo leasing, manutenção, seguro e energia), assegurando uma vantagem de 16,6% face aos camiões a gasóleo, valor que subirá ainda mais na Europa, devido ao preço mais elevado do diesel. Até a autonomia não será um problema, pois ao garantir 800 km, mesmo a rebocar 36 toneladas (o máximo que se pode transportar em auto-estrada nos EUA) – só possível com packs de baterias que totalizam 1.000 kWh, o equivalente a 10 vezes a capacidade de um Model S P100D -, o primeiro veículo pesado da Tesla não terá problemas em lidar com a maioria dos trajectos desta classe de camiões. E, caso deseje ir mais longe, a marca terá entretanto montado uma rede de megacarregadores capazes de fornecer, em apenas 30 minutos, energia suficiente para percorrer mais 640 km.