O Governo alemão suspendeu as ajudas à venda de veículos eléctricos em Dezembro de 2023, quando a indústria local pretendia forçar a União Europeia (UE) a desistir dos veículos eléctricos como solução do futuro. E nada melhor do que uma quebra das vendas de modelos a bateria para confirmar (ainda que de forma manipulada) que os condutores não queriam comprar carros eléctricos. A UE abanou sob pressão e até relaxou as regras contras as importações chinesas, para tentar proteger as exportações germânicas de veículos topo de gama a combustão para a China, sobretudo da Mercedes, BMW e Porsche.

Como o Governo chinês e os consumidores locais demonstraram claramente que não estavam interessados, os construtores germânicos acabaram por assumir as perdas que representaram o “desaparecimento” do mercado chinês em termos de vendas. Todo o esforço da alegada manipulação das regras da União não serviu pois de nada, o que levou a Alemanha a regressar aos incentivos em Janeiro de 2026.

Reposta a verdade, imposta pela exigência da União de redução das emissões — especialmente nos centros das grandes cidades —, a Alemanha recuperou os incentivos aos eléctricos, de forma mais comedida e em menor monta, uma vez que a diferença, em termos de custos, em relação aos carros a combustão é cada vez menor. Uma das consequências deste back to basics foi o despertar das vendas de eléctricos na Alemanha desde o início do ano, que culminou com a liderança do mercado alemão em Junho, em que os veículos eléctricos venderam mais do que os carros com qualquer outro tipo de motorização.

A Alemanha nunca foi o país que, percentualmente, mais vendeu eléctricos, mas é decididamente o maior mercado europeu, pelo que, mesmo com uma penetração inferior, é o mercado que decide a popularidade de qualquer tipo de tecnologia. E, em Junho, os condutores germânicos adquiriram 28,4% de veículos eléctricos, à frente dos híbridos pela primeira vez, o que inclui híbridos, mild hybrids e híbridos plug-in (PHEV), além dos modelos com motores apenas a gasolina ou a gasóleo.

De acordo com a Federal Motor Transport Authority (KBA), 84.057 dos veículos vendidos em Junho foram eléctricos, o que representa um incremento de 78,2% face ao mesmo período de 2025. Os híbridos (incluindo os mild hybrids), muito mais simples e baratos, venderam 83.315 unidades, cerca de 28,1% do mercado. Ainda assim, abaixo dos mais dispendiosos eléctricos a bateria, com 28,4% do mercado. Os carros a gasolina, os mais baratos, ficaram-se pelos 20,5%, à frente dos diesel com 11,4% que, assim, superaram os PHEV, pois estes chamaram a si apenas 10,9% do mercado.

O eléctrico mais vendido na Alemanha em Junho foi o Model Y da Tesla, com 6.023 unidades, à frente do VW ID.3 com 3.514, do Skoda Enyaq (3.383) e do Skoda Elroq (3.315). Os restantes eléctricos no top 10 foram o BMW iX1, o Mini, o Audi A6 e-tron, o VW ID.7, o Cupra Tavascan e o Mercedes CLA Electric. O Tesla Model Y foi mesmo o 3.º modelo preferido dos alemães, atrás do Golf (8.117) e do VW T-Roc (6.808).