A Tesla fez saber que cedeu dois dos seus modelos, equipados com o sistema Full Self-Driving (FSD) supervisionado, às autoridades rodoviárias francesas. O objectivo é desafiá-las a testar o sistema de condução autónoma da marca, que na Europa só pode funcionar sob supervisão, ou seja, é completamente autónomo, mas só se o condutor não desviar os olhos da estrada ou tenha uma mão disponível para assumir o volante caso a situação o exija, o que é determinado pela câmara que controla tudo a bordo.

O desafio proposto aos franceses é similar ao que foi lançado há uns meses à RDW, a autoridade dos Países Baixos responsável por tudo o que respeita à segurança rodoviária. Os neerlandeses testaram o FSD da Tesla durante 18 meses, submetendo-o a todo o tipo de condições, antes de aprovar a sua utilização livremente no país a 10 de Abril, desde que supervisionado. Produziram ainda um relatório com as suas conclusões que partilharam com a União Europeia e, simultaneamente, com todos os Estados-membros, para que cada um deles pudesse legalizar o uso do FSD dentro das suas fronteiras, mesmo se a União não o aprovar.

Além dos Países Baixos, de momento já aprovaram o uso do FSD Supervised a Lituânia, a Estónia, a Dinamarca e a Bélgica, sendo agora a vez de a França avaliar o nível de segurança assegurado pelo sistema do construtor norte-americano. O ministro dos Transportes francês, Philippe Tabarot, confirmou que a decisão de colocar à prova o sistema autónomo partiu de uma construtiva conversa com Elon Musk, que colocou à disposição das autoridades dois modelos da Tesla equipados com o FSD Supervised.

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Para os franceses, é importante que o público perceba que, por enquanto, o FSD não é comercializado como um sistema autónomo, apesar de ser a “máquina” que decide se acelera, trava ou para que lado vira o volante, com que rapidez e quanto. O condutor, pelo seu lado, tem apenas de permanecer pronto a intervir, caso isso lhe seja solicitado (e daí o supervisionado). Todas as decisões são tomadas exclusivamente pelo sistema autónomo, com base nos conhecimentos adquiridos ao longo dos 100 milhões de quilómetros que foram percorridos por todos os modelos equipados com o FSD desde Abril.

França persegue a redução de acidentes que a Tesla reivindica para os seus veículos com FSD, quando comparados com os Tesla que não utilizam a condução autónoma supervisionada da marca, afirmando que os primeiros têm 4,1 vezes menos acidentes. Contudo, o ministro dos Transportes francês já fez saber que gostaria que o FSD fosse ainda mais longe no que respeita ao cumprimento dos limites de velocidade, algo que a União Europeia também pretende.

A França será o primeiro dos grandes países europeus a aprovar o uso pelo público do FSD da Tesla, caso os ensaios que decorrem em condições reais de utilização sejam satisfatórios. Mas não espantaria que o mercado alemão fosse o próximo a aprovar o FSD, apesar de ser expectável que os fortes construtores que dominam o mercado germânico, entre os generalistas e os de luxo, façam lobby para travar o rival americano, a quem o FSD dará uma grande vantagem técnica, mas igualmente comercial. A tarefa da Tesla para aprovar o seu sistema de condução autónoma supervisionada junto do regulador alemão foi facilitada pela autorização recentemente atribuída à Waymo, a empresa da Google especializada em condução autónoma, para começar a operar os seus táxis sem condutor na cidade de Munique. A Waymo deverá começar a mapear de imediato as ruas da cidade, para que o serviço de táxi sem condutor comece a ser explorado em finais de 2027.