IURD

Igreja brasileira nega acusações de que manteve esquema de tráfico de crianças portuguesas

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A Igreja Universal do Reino de Deus afirmou que as acusações de rapto e de um esquema de adoção ilegal de crianças portuguesas num lar em Lisboa são fruto de "uma campanha difamatória e mentirosa".

ANTONIO SILVA/LUSA

A Igreja Universal do Reino de Deus afirmou esta terça-feira que as acusações de rapto e de um esquema de adoção ilegal de crianças portuguesas num lar mantinha em Lisboa são fruto de “uma campanha difamatória e mentirosa”.

Num comunicado divulgado no Brasil, a igreja brasileira afirmou que a investigação realizada pelos repórteres da estação portuguesa de televisão TVI baseia-se no depoimento falso de um ex-bispo chamado Alfredo Paulo, que teria sido expulso da igreja por conduta imprópria.

A IURD acrescenta que “os seus membros, em Portugal e fora do país europeu, apresentarão inúmeras ações contra a TVI em Portugal e no exterior”.

Num vídeo divulgado pela Igreja Universal num canal oficial do Youtube dois jovens chamados Vera de Andrade e Louis Carlos de Andrade, netos de Edir Macedo, que foram adotados no lar mantido pela igreja em Lisboa, pronunciaram-se alegando que a reportagem da TVI fez acusações que não são verdadeiras.

“A TVI está a dizer coisas a nosso respeito que não são verdadeiras. Estão a dizer que fomos raptados pela cúpula da Igreja Universal. Nós não fomos raptados, fomos adotados de forma legal por uma família americana e vivemos até os nossos 20 anos com esta família nos Estados Unidos”, disse Louis Carlos.

“Queremos dizer à TVI que não é justo, de forma nenhuma, o que eles estão a fazer connosco. E queremos o direito de resposta”, adianta o vídeo.

Na noite de segunda-feira, a TVI iniciou a exibição de uma série de reportagens denominada “O Segredo dos Deuses”, na qual noticia que a IURD esteve alegadamente relacionada o rapto e o tráfico de crianças nascidas em Portugal.

Os supostos crimes teriam acontecido na década de 1990 com crianças levadas para um lar em Lisboa, que teria alimentado um esquema de adoções ilegais em benefício de famílias ligadas à IURD que moravam no Brasil e nos Estados Unidos.

Entretanto, o Ministério Público português abriu um inquérito sobre esta alegada rede de adoções ilegais de crianças portuguesas ligadas à IURD, disse segunda-feira à Lusa a Procuradoria-Geral da República.

“Existe um inquérito relacionado com essa matéria, tendo o mesmo sido remetido ao DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa] para investigação”, adiantou a Procuradoria-Geral da República numa resposta enviada à Lusa.

O primeiro episódio da série da TVI, que afirma ter tido acesso a mais de 10 mil documentos numa investigação que durou sete meses, conta a história do reencontro de uma mãe portuguesa com os seus três filhos, retirados segundo ela sem autorização pela Segurança Social e depois enviados para uma outra família que vivia nos Estados Unidos.

Segundo informações levantadas pela TVI, a IURD tem atualmente nove milhões de fiéis, espalhados por 182 países, 320 bispos e cerca de 14 mil pastores.

Esta igreja evangélica foi fundada no final da década de 1970 e é liderada pelo bispo Edir Macedo, considerado um os homens mais ricos do Brasil.

A série da TVI começou a ser exibida segunda-feira e tem previsão de 10 capítulos.

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