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Made in Youthland, a cosmética portuguesa que disse não à crueldade animal

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Há dois anos, Diana criou uma marca de cosmética em sintonia com o mundo da moda. Hoje, Hong Kong é o principal destino da Made in Youthland, que já foi distinguida por dizer não à crueldade animal.

A Made in Youthland chegou ao mercado em 2016 e nenhum dos 16 produtos é testado em animais.

É portuguesa e as fórmulas saíram todas de um laboratório em Lisboa. Eis a primeira grande surpresa quando conhecemos a Made in Youthland, uma startup do ramo da cosmética que chegou ao mercado em fevereiro de 2016 e que, assim de repente, até parece uma daquelas marcas nórdicas cheias de pinta. E não é por acaso. Diana V. Carriço, a empresária e criativa por detrás da marca, sempre esteve do lado de lá. E porque a moda e a cosmética não têm de ser mundos à parte, juntou o melhor das duas áreas para criar uma linha de produtos de beleza que equipara àqueles básicos essenciais em qualquer guarda-roupa.

“Sempre tive este fascínio pelas duas. A moda e a cosmética não andam muito juntas, mas deviam andar, já que a segunda é, na verdade, a primeira coisa que vestimos, ainda antes da roupa. Quis começar por aí, pelo que pomos na nossa pele”, afirma Diana, de 29 anos. Começar por aí? Precisamente. A empresária tenciona estender a etiqueta da Made in Youthland também à moda e currículo para isso não lhe falta. Cosmética foi, na verdade, uma das últimas áreas em que se especializou. Em Lisboa, estudou marketing e gestão, mas acabou a trabalhar como cool hunter para várias marcas de luxo italianas. Acabou, como quem diz, porque entretanto ainda fez um curso na área de merchadising de moda, no Porto, deu aulas na Universidade de Alicante e estudou design de produto em Milão, até chegar finalmente ao capítulo da formulação cosmética.

Aos 29 anos, Diana V. Carriço tem a sua própria marca de cosmética e exposta para três continentes © Divulgação

“O que fiz foi misturar tudo o que gosto num único projeto”, esclarece. Quando arrancou com a marca, Diana saltitava entre Nova Iorque, Amesterdão, Espanha e Vietname. Era altura de assentar arraiais em Lisboa e de se dedicar a um processo moroso, o da criação das fórmulas. Depois do primeiro passo, a marca levou três anos a chegar ao mercado. Afinal, compor 16 produtos de beleza leva o seu tempo e Diana não abriu mão do que tinha imaginado para a Made in Youthland. “Tinha de ser algo intemporal, com ingredientes que não saíssem de moda, por isso é que gosto de lhe chamar o little black dress da cosmética”, continua.

Óleos, cremes, esfoliantes e soluções de limpeza — a Made in Youthland chegou ao mercado há quase dois anos e veio com o pacote completo. Do lado dos ingredientes está um equilíbrio entre os de origem natural e os sintéticos. Os segundos são os responsáveis pela penetração dos primeiros na pele. Na base das fórmulas estão a famosa grainha de uva e a ameixa de kakadu, fruto australiano com a maior concentração de vitamina c do mundo. O processo foi complexo, mas as fórmulas simples. É que Diana segue o velho lema “poucos mas bons” e quis evitar o overfeeding da pele.

E é precisamente num dos mercados mais inundados com diferentes marcas e conceitos de cosmética que a Made in Youthland mais tem vingado. Atualmente, 90% da faturação da marca chega das exportações e Hong Kong é o principal destino, com Macau logo a seguir. Parece que as marcas de beleza europeias são bastante bem cotadas do outro lado do mundo, se bem que um dos objetivos para 2018 é precisamente reforçar a presença na Europa, onde além da loja online, a marca já está presente em algumas concept stores. “Não estamos a falar de uma marca massificada. Faz todo o sentido encontrá-la em concept e fashion stores para fazer essa ponte com a moda e porque é aí que estão as pessoas que gostam de coisas diferentes”, explica Diana.

Raios UV, desperdício e crueldade animal. Esta marca é à prova de tudo

A marca não esconde as preocupações redobradas com o design. Das caixas exteriores feitas em polipropileno ao vidro que protege os produtos dos raios UV, as embalagens são quase objetos de decoração e isso já está a dar frutos no que toca à sustentabilidade. “Comecei a notar que as pessoas não têm coragem de deitá-las fora e que reutilizam as embalagens nem que seja para decoração. Algumas até me mandam fotografias”, conta.

Mas os atrativos desta marca portuguesa não ficam por aqui. Os testes em animais nunca foram uma opção e isso já lhe valeu a certificação de cruelty free da PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), além do selo vegan atribuído pela mesma organização. É por esta razão que a marca ainda não entrou no mercado chinês. Sem efeito sobre as regiões administrativas especiais, a legislação exige que todos os produtos de cosmética importados sejam testados em animais.

A Made in Youthland adianta-se e sugere formas de reaproveitar as embalagens dos seus cremes © Divulgação

Isso não faz com que não haja outros mercados na mira da Made in Youthland. No Médio Oriente, Diana refere um contrato de 2 milhões de euros que, para já, se mantém suspenso devido à crise diplomática no Qatar. No início, a marca arrancou com um investimento próprio de 60 000€. Sozinha na gestão da empresa, Diana estuda agora a possibilidade de entrar nos Estados Unidos. Para um lado ou para o outro (ou para ambos), uma coisa é certa: 2018 vai ser o ano de constituir uma equipa e sediada em Lisboa. Mas Diana deixa a nacionalidade para segundo plano e fez questão de afirmar isso no nome da marca. Mais importante do que ser feito em Portugal é ser Made in Youthland.

Nome: Made in Youthland
Data: 2016
Pontos de venda: scar-id (Porto), SAL Concept Store (Lisboa) e loja online
Preços: vão dos 45€ aos 100€

100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.

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