Rádio Observador

Marte

É português e está a aprender a viver em Marte, mas não vai para lá

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É no deserto de Omã, na Península Arábica, que está a ser testada a preparação daqueles que, um dia, poderão ir para Marte. João Lousada é um dos seis astronautas análogos da missão AMADEE-18.

João Lousada é licenciado em Engenharia Aeroespacial

Autor
  • Ana Luísa Alves

É no deserto de Omã, perto da Arábia Saudita, que seis astronautas análogos estão a “aprender” a viver em Marte — e um deles é português. O objetivo é simular as condições vividas no Planeta Vermelho.

João Lousada é licenciado em Engenharia Aeroespacial e é engenheiro de Operações de Voo na GMV, na Alemanha. Em conjunto com outros seis astronautas tem estadia marcada no deserto até ao final do mês. Estão numa simulação do ambiente e das condições de Marte, e até o local foi escolhido ao pormenor.

Investigadores do o Forum Espacial Austríaco, em parceria com o Comité de Direção de Omã, desenvolveram a expedição AMADEE-18 e criaram, no deserto, algumas semelhanças com Marte, com a esperança de que um dia os humanos realmente lá possam viver.

[Trailer da missão AMADEE-18 que “aterrou” no deserto de Omã]

Uma outra equipa deste projeto vai estar no Centro de Apoio à Missão, na Áustria, e comunica com a “base marciana” com um atraso de 10 minutos, para simular o tempo que as mensagens demoram a ir de um planeta ao outro. O projeto tem um custo de cerca de meio milhão de euros, oriundos, maioritariamente de doações privadas, adianta a TVI. 

“Precisamos de um sítio que seja o mais possível parecido com Marte, e foi aqui, no deserto de Omã, que encontramos mais semelhanças”, refere, num vídeo publicado pela BBC o Presidente do Forum Espacial Austríaco, Alexander Soucek.

The view of the sunset over the desert is really something spectacular.A vista do pôr do sol no deserto é realmente espectacular.

Posted by João Lousada on Saturday, February 3, 2018

Para que a experiência seja o mais real possível, os voluntários usam fatos que pesam aproximadamente 50kg e simulam a pressão sentida no planeta vermelho. Mas esse não é o maior desafio: há que conseguir fazer crescer vegetais em sítios onde parece impossível fazê-lo, e suportar temperaturas que podem chegar aos 51 graus centígrados.

[Vídeo explicativo do projeto, com João Lousada]

Num vídeo onde explica o projecto, João Lousada diz que as experiências são “emocionantes”, e que a complexidade em cada uma das missões é crescente. “Podemos olhar para os próximos 20 a 30 anos e pensar que poderemos ver, por essa altura, as primeiras pegadas humanas em Marte. Significa que, se calhar, a primeira pessoa a caminhar em Marte já nasceu”, conclui João.

Nos últimos dias, João tem aproveitado para partilhar,  através das redes sociais, algumas fotografias do local onde os seis colegas estão.

The "landing" day is approaching quickly for #AMADEE18 and our base station is shaping up nicely! O dia de "aterragem"…

Posted by João Lousada on Tuesday, February 6, 2018

Os pormenores desta experiência no deserto de Omã podem ser acompanhados através do site do Forum Espacial Austríaco, e através do Twitter, Instagram e Facebook do projeto.

Esta semana foi lançado um foguetão em direção a Marte, pela empresa SpaceX, de Elon Musk, que se dedica à engenharia aeroespacial e aos serviços de transporte extraterrestre. O foguetão Falcon Heavy descolou de uma plataforma de lançamento alugada à NASA, mas, devido a um engano, o trajeto não vai ser o esperado: poderá ficar mais próximo da órbita de Júpiter.

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