Um menino de oito anos morreu na Argentina depois de ter apanhado um parasita que lhe consumiu o tecido cerebral, está a noticiar o jornal Clarín. A criança, natural da cidade de General Arenales, morreu em fevereiro de 2017, mas o caso só foi conhecido agora. Esta é a primeira vítima mortal na Argentina de meningoencefalite amebiana primária, uma infeção provocada pela ameba da espécie Naegleria fowleri, muitas vezes chamada por “ameba come-cérebros”: este parasita encontra-se em cursos de água doce infetados, aloja-se no organismo e depois causa meningite e encefalite muito graves.

Como reporta o jornal argentino, o menino ficou infetado depois de ter nadado na lagoa Mar Chiquita em fevereiro do ano passado: o parasita entrou pelo nariz do rapaz e alojou-se no cérebro. Os sintomas começaram a manifestar-se ao fim de poucos dias: a criança começou por sofrer de febre, dores de cabeça e vómitos, intolerância à luz e aos ruídos e, mais tarde, manifestou sinais de meningite. À medida que a doença foi avançando, o menino começou a ter falhas respiratórias e a manifestar sinais de degradação das capacidades sensitivas e a ter convulsões. Morreu cinco a sete dias depois de ter contraído o parasita.

Patricia Barisich, diretora do Hospital Abraham Piñero de Junin (que recebeu a criança), tranquilizou a população e disse que este “é um caso isolado, esporádico, não há um padrão de epidemia de frequência. Foi uma raridade”. A médica explicou ainda que o rapaz deu entrada numa clínica privada, onde foi detetada na infeção. Isso desencadeou uma resposta “de todos os profissionais da região sanitária”, garantiu Patricia Barisich, mas “não havia muito a fazer além de advertir medidas de precaução, como não tomar banho em águas contaminadas ou tapar o nariz ao mergulhar”.

Segundo o Relatório Epidemiológico de Córdoba, que documentou este caso, a ameba é um microrganismo que entra no corpo humano pelo nariz para colonizar e se reproduzir nos tecidos nasais. Quando fica sem espaço, o parasita invade os nervos responsáveis pelo olfato e chega ao cérebro, onde invade a massa cinzenta as meninges — membranas que revestem e protegem o sistema nervoso central. Apesar de haver 30 espécies do género Naegleria, apenas o parasita Naegleria fowleri tem capacidade para infetar as pessoas. Quando o faz provoca a morte em 97% dos casos, sendo por isso considerado um parasita fatal.

Este parasita existe em muitos lugares frequentadas por humanos e está em todo o mundo: vive em lagos e rios, águas geotermais, águas residuais ou em piscinas que não são tratadas com cloro. Mas esta ameba só se costuma desenvolver melhor em águas com temperaturas amenas, que não ultrapassem os 46ºC: é quase impossível encontrá-la em águas frias e sobrevive por pouco tempo em águas muito quentes. No entanto, não há um método de detecção rápida: os testes costumam demorar três semanas.

O mesmo relatório explica que nadar horizontalmente nestas águas, mesmo que contaminadas, resultam numa menor probabilidade de contrair a doença do que saltando para dentro dela — como a fazer bombas ou mortais. Isto porque a ameba só costuma infetar o corpo humano se entrar pelo nariz em altas pressões, algo que é menos provável numa natação mais tranquila.