Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O Campeonato do Mundo de Fórmula 1 2018 só começa no dia 25 de março, com o Grande Prémio da Austrália. Mas, e como é habitual, as equipas já começaram a apresentar os modelos que vão competir na modalidade automobilística mais famosa do mundo. Ao longo dos anos, as expetativas à volta dos novos monoveículos são muitas – mas sempre as mesmas. O chassis, a marca do motor, as escolhas aerodinâmicas e, num prisma mais estético, a paleta de cores escolhida por cada scuderia. Mas a introdução de um elemento novo por parte da FIA, a organização que regula a Fórmula 1, tornou a apresentação dos carros de 2018 uma verdadeira animação.

Era a crónica de um carro anunciado, mas continua a causar a polémica. A organização da Fórmula 1 tornou obrigatória a inclusão de um halo em todos os carros: um sistema aerodinâmico que visa proteger os pilotos de lesões cerebrais e qualquer impacto que possa envolver a cabeça. A plataforma – feita em carbono e desenhada para aguentar a força de um embate com um autocarro de dois andares – fica à frente do habitáculo do piloto e descreve uma espécie de “T”, protegendo também a parte lateral da cabeça.

O halo começou a ser pensado em 2016, na ressaca do acidente que provocou a morte do piloto de testes da Ferrari Jules Bianchi. Na altura, a FIA pediu a várias equipas para efetuarem testes e construírem protótipos que respondessem às necessidades dos pilotos. A proposta mais forte foi a da Mercedes: uma aureóla que era removível através de um basculante em caso de acidente. A ideia não avançou mas deu o mote para o halo atual.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A introdução do halo já na temporada de 2018 é obrigatória mas não é consensual. Toto Wolff, o timoneiro da Mercedes, é o principal crítico da nova plataforma.

Não estou impressionado por nada disto e se me dessem uma serra eu cortava-o. Acho que temos de ter em atenção a segurança do piloto, mas o que implementámos não é esteticamente atraente e precisamos de arranjar uma solução que simplesmente seja melhor”, afirmou o diretor da Mercedes esta quinta-feira, durante a apresentação do modelo da marca para 2018.

Aliás, a própria Mercedes tem sido a principal oponente da FIA no que toca ao halo. O facto da organização ter ignorado a proposta de uma auréola removível – ao invés desta, que é fixa – leva a equipa a preocupar-se com a eventual encarceração de um piloto depois de um acidente.

A visibilidade, por motivos óbvios, é outros dos receios da scuderia que venceu os últimos quatro Campeonatos do Mundo. E foi por isso que aproveitaram um dos testes de pré-época para mostrar ao mundo o que é conduzir um carro de Fórmula 1 já com um halo implementado. A câmera, colocada no capacete do piloto Valtteri Bottas, deixa perceber que a presença da auréola cria novos ângulos mortos.

Mas se existem opiniões contra, também as existem a favor. Carlos Sainz Jr., piloto da Renault, defende que “só vão ser precisas 20 voltas” para os pilotos se habituarem. O espanhol contou à Autosport que se habituou ao novo elemento nos testes de simulação e acredita que a modalidade só têm a ganhar com estas inovações.

Outra das preocupações das equipas – e aqui, principalmente dos pilotos – é a regulamentação do peso dos monolugares. Em 2017, o peso máximo permitido foi aumentado de 702 para 728 quilogramas devido à maior largura dos veículos e ao elevado peso dos pneus. Agora, este ano, a FIA vai voltar a subir o peso permitido para fazer face ao halo: desta vez em 6 quilos, levando o peso máximo autorizado para os 734 quilogramas.

Mas todas as scuderias consideram que esta margem não é suficiente. Andy Green, o diretor técnico da Force India, explicou que a instalação completa do halo pesa mais 14 a 15 quilos no veículo, já que o chassis tem de ser fortalecido para aguentar a plataforma de carbono. Sem margem de erro, os pilotos mais altos e mais pesados estão a ver-se obrigados a perder peso para não exceder o peso máximo autorizado pela FIA enquanto em prova.