“Logo à noite, às 22h30, no Porto Canal, com documentos, para desmascarar as historietas com que julgam que nos desviam dos objetivos”, escrevera durante a tarde no Twitter Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto. Foi um pouco mais tarde (o jogo de basquetebol dos dragões com a Ovarense foi apenas decidido no prolongamento, com triunfo por 97-93), mas foi. E, de facto, com documentos: o responsável azul e branco mostrou o comprovativo de uma transferência para o Estoril mas num outro âmbito, numa outra data e com um outro propósito daquele que tinha acompanhado a denúncia anónima entregue na PGR esta semana.

“O FC Porto não comprou o resultado e é uma ofensa muito grande aos nossos jogadores, treinadores, clube e adeptos. Em primeiro lugar, não houve reunião nenhuma de nenhum responsável do FC Porto, nem com ninguém do Estoril ou nenhum empresário. Aliás, nessa altura as relações até estavam complicadas porque o Estoril só fez a troca até segunda-feira dos bilhetes para o jogo de quarta-feira e havia milhares de adeptos do Norte do país e não só que tinham grandes dificuldades em trocar os bilhetes numa data que não fosse no dia do jogo. Até aí, os contactos foram feitos com a Liga e não com o Estoril”, começou por destacar Francisco J. Marques no Porto Canal.

“Também é falso que tenha havido qualquer transferência bancária ou de qualquer outro tipo após o jogo. E como não temos nada a esconder e não somos como outros que fazem cortinas de fumo para não falar das situações, passo a explicar o que se passou: a 14 de fevereiro, o FC Porto fez uma transferência de 748 mil euros, e não os tais 730 mil euros, às 16h01 e 38 segundos do Novo Banco. E foi nesse dia porque, se bem se recordam, houve o jogo com o Liverpool que deu liquidez para que outros clubes recebessem também outras faturas que já tinham sido vencidas antes. E refere-se a quê? Aos 20% dos direitos económicos a que tinha direito pela transferência do Carlos Eduardo para o Al-Hilal, mais outra parte do Licá, 40% da cedência temporária, mais 90 mil euros, mais outra de 95 mil euros, outra de 119 mil euros e outra de 100 mil euros. Foram 748 mil euros”, explicou.

“O IVA já tinha sido saldado a 7 de novembro, 180 mil euros, e nessa altura o FC Porto comprometeu-se a pagar até ao final de março porque era necessário saldar todas as dívidas até aí, por causa do licenciamento da UEFA, como todos os clubes fazem. A fatura foi emitida pelo Estoril a 26 de outubro e chegou ao FC Porto a 2 de novembro; esta transferência foi uma semana antes do jogo e refere-se a dívidas antigas. Jamais o FC Porto comprou um jogo e jamais comprará. Espero que estas manobras sejam gasolina para nos dar mais força para o que resta do Campeonato”, acrescentou o diretor de comunicação dos dragões.

“O FC Porto tem quatro empates, três dos quais em jogos que tiveram alguns erros incompreensíveis. Bastava o jogo do Benfica em casa não ter os erros que teve e o Campeonato estava resolvido. O que o FC Porto compra é uma boa equipa e este ano não só tem uma excelente equipa como um treinador de excelência, que coloca os jogadores a jogarem como nunca jogaram”, concluiu Francisco J. Marques no Porto Canal.

PGR encaminha denúncia anónima sobre segunda parte do Estoril-FC Porto para o DIAP de Lisboa

Recorde-se que, esta quinta-feira, ficou a saber-se que tinha dado entrada na Procuradoria-Geral da República uma denúncia anónima sobre uma alegada combinação de resultados na segunda parte do Estoril-FC Porto, que terminou com a vitória dos dragões por 3-1 37 dias depois da interrupção da partida ao intervalo por razões de segurança numa das bancadas do Estádio António Coimbra da Mota.

FC Porto nega qualquer negócio no jogo com Estoril. “A resposta vai ser dada em campo”, diz

Durante a tarde, quer o FC Porto, quer o Estoril, através de comunicados oficiais colocados nas suas plataformas, tinham refutado por completo a hipótese de ter havido uma combinação de resultados.