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Benfica

As ligações entre Paulo Gonçalves e Júlio Loureiro que os emails tinham revelado (e a nota do árbitro Marco Ferreira)

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Operação e-toupeira levou à detenção do assessor jurídico da SAD do Benfica Paulo Gonçalves. Emails tornados públicos tinham revelado ligações com Júlio Loureiro, funcionário judicial também suspeito.

ESTELA SILVA/LUSA

A operação e-toupeira, que envolveu desde esta manhã cerca de 50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público em “30 buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios”, levou à detenção de duas pessoas, Paulo Gonçalves (assessor jurídico da SAD) e José Silva (técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça), e à constituição de mais dois arguidos. Um dos funcionários judiciais suspeitos será Júlio Loureiro, que tem uma ligação a Paulo Gonçalves que já antes tinha sido revelada por emails tornados públicos nos últimos meses.

De: Júlio Manuel Loureiro
Para: Paulo Gonçalves
Data: 10 de Novembro de 2016

Viva,
Para conhecimento antecipado, dado ser uma data que antecede a viagem à Turquia, remeto-lhe cópia de uma notificação para o Rui Vitória.
Agradeço-lhe discrição quanto ao assunto uma vez que nem sequer é da minha secção, ok?
Abraço

Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, revelou a 19 de setembro de 2017 um email que teria sido enviado por Júlio Loureiro para Paulo Gonçalves, a propósito de uma notificação que Rui Vitória, treinador do Benfica, iria receber a propósito de um processo onde o arguido era o V. Guimarães e numa altura em que os encarnados estavam próximos de viajarem até à Turquia para defrontarem o Besiktas, na quinta jornada do grupo B da Liga dos Campeões.

“Isto mostra a extensão do polvo do Benfica, tudo serve para mostrar o poder, o jeito, o ‘vou fazer isto para agradar àqueles’… Tudo isto nem tem classificação”, comentou o responsável azul e branco no programa Universo Porto de Bancada, que costuma ser transmitido nas noites de terça-feira no Porto Canal. “Trata-se de uma notificação que não é nada de especial, porque o Rui Vitória iria testemunhar num processo em que o arguido era o V. Guimarães, ex-clube de Rui Vitória, mas há um funcionário de tribunal que, foi árbitro e observador de árbitros, a enviar este tipo de informação. Se avisam de uma simples notificação, quando forem coisas mais graves o que não farão. Será que há pessoas no meio desta cadeia, funcionários judiciais etc., que estão a passar informações ao Paulo Gonçalves que é um dos investigados?”, levantou.

[Veja no vídeo os momentos em que Francisco J. Marques denuncia Paulo Gonçalves na televisão]

Mais tarde, no início do ano, foi divulgado na internet um arquivo com centenas de emails que Paulo Gonçalves alegadamente teria trocado, entre os quais um para Ana Zagalo em vésperas de Benfica-FC Porto no estádio da Luz.

De: Paulo Gonçalves
Para: Ana Zagalo
Data: 27 de março de 2017

Para além dos bilhetes que requisitei, preciso dos seguintes convites:
Nuno Cabral – 3
Ferreira Nunes – 4
Júlio Loureiro – 3 (…)

“Vocês lembram-se também do Júlio Loureiro, ex-árbitro, ex-observador, funcionário judicial e que, na sua condição de funcionário judicial, enviava notificações e informação antes de tempo, privada e em segredo de justiça, para o Benfica. Que se saiba estas coisas fazem-se em Portugal sem que nada aconteça, o que é especialmente grave. Depois ainda há pedidos [de bilhetes] para observadores da Liga, delegados da Liga, para pessoas da Liga, da Federação… A teia de poderes do Benfica fica também muito clara com estas coisas”, comentou nessa altura Francisco J. Marques.

Esses três convites para o clássico que se realizou a 1 de abril de 2017 eram para o piso 2. Na semana (e jogo) seguinte, Paulo Gonçalves terá voltado a pedir a Ana Zagalo quatro convites para Júlio Loureiro, desta vez para o piso 1. Em ambos os casos, Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, estava nesses emails como cc.

De referir que, além de ser funcionário judicial, Júlio Loureiro, natural de Fafe, foi também árbitro (nunca chegou à principal categoria do futebol nacional) e observador de árbitros da Primeira Liga até 2015/16, altura em que não terá sido convidado a ficar pelo atual Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol liderado por José Fontelas Gomes.

Nesse período, Júlio Loureiro ficou conhecido por ter sido o observador do Sp. Braga-Benfica da oitava jornada do Campeonato de 2014/15, a 26 de outubro (2-1 para os minhotos), que valeu ao árbitro Marco Ferreira a pior nota da temporada (2, muito insatisfatório). Esse jogo, onde os encarnados saíram com muitas queixas a nível técnico (grandes penalidades) e disciplinar (dualidade de critérios nos cartões), acabou por ter grande peso na surpreendente descida de divisão do madeirense, que apesar de ter sido sugerido pelo Conselho de Arbitragem para ascender a internacional em dezembro e ter arbitrado a final da Taça de Portugal dessa época, no Jamor, entre o Sporting e o Sp. Braga (triunfo dos leões nas grandes penalidades).

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