Islão

Líder islâmico pede que lei para judeus sefarditas seja alargada aos muçulmanos

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O reitor da maior universidade islâmica do mundo defendeu que Portugal deve dar aos descendentes dos muçulmanos expulsos após a reconquista cristã os mesmos direitos que concede aos judeus sefarditas.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O reitor da maior universidade islâmica do mundo defendeu esta sexta-feira que o Estado português deve dar aos descendentes dos muçulmanos expulsos após a reconquista cristã os mesmos direitos de acesso à nacionalidade que concede aos judeus sefarditas.

Em entrevista à Lusa, Ahmed Mohamed Al-Tayyeb, xeque da universidade de Al-Azhar, no Cairo, defendeu que as facilidades no acesso de cidadania portuguesa concedidas aos descendentes de judeus expulsos de Portugal devem ser estendidas aos muçulmanos que tenham antepassados expulsos do país no passado.

“Os muçulmanos que são descendentes de famílias muçulmanas naquela época também têm o direito de recorrer às entidades para terem os seus direitos”, afirmou o reitor de Al-Azhar, em entrevista à Lusa.

Nos séculos XII, XIII e XIV, muitos muçulmanos e moçárabes foram massacrados ou expulsos da Península Ibérica, no quadro da radicalização religiosa da igreja católica à época, que também conduziu à expulsão dos judeus que continuassem a professar a fé judaica.

Nos últimos anos, Portugal pediu desculpas pela expulsão dos judeus e em março de 2015 publicou um diploma que concede o direito de cidadania aos descendentes dessas famílias.

Um total de 2.160 sefarditas, judeus originários da Península Ibérica expulsos de Portugal no século XVI, adquiriram a nacionalidade portuguesa desde 2016, de acordo com dados do Instituto dos Registos e do Notariado.

Para Al-Tayyeb, “deve haver uma justiça de cidadania independentemente da origem religiosa ou étnica da pessoa em questão”.

Na quinta-feira, o reitor da universidade de Al-Azhar, no Cairo, a maior referência normativa do islamismo sunita, reuniu-se com o Presidente da República e com vários governantes portugueses.

Elogiando os encontros, o reitor acredita que o Estado português irá alargar o alcance da legislação.

“A minha opinião é que tem de ser igual para a todos. A cidadania é baseada num contrato social que não reconhece descriminação de qualquer tipo”, disse.

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