Dentro de pouco mais de 10 anos, o 1% mais rico da população mundial vai acumular dois terços de toda a riqueza. Se nada for feito, as tendências iniciadas após a crise de 2008 vão levar um “momento de inflexão” nos níveis de desigualdade a nível mundial, avisa um estudo encomendado pelo parlamento britânico e citado pelo The Guardian.

Desde 2008, a riqueza dos cidadãos mais endinheirados do mundo — o “top 1%” — aumentou a um ritmo médio de 6% por ano. Essa taxa corresponde ao dobro do ritmo a que cresceu a riqueza dos outros 99%. A manter-se essa divergência, até 2030 os mais ricos vão ter, entre si, 305 biliões de dólares (248 biliões de euros, ao câmbio de hoje), mais do que o dobro dos 140 biliões de dólares atuais que o top 1%.

A acumulação de riqueza está a concentrar-se cada vez mais no topo graças a efeitos como as taxas de poupança mais elevados e, ligado a isso, a maior tendência para o investimento em ativos com maior risco — como as ações — que têm tido um bom desempenho nos últimos anos, desde 2009. Esta é a conclusão do estudo liderado por Liam Byrne, deputado trabalhista desde 2004 e antigo membro do governo de Gordon Brown.

Académicos, empresários e sindicatos estiveram entre os agentes que participaram no estudo. O “padrinho” do estudo, contudo, foi uma celebridade: o ator Michael Sheen, que colocou a carreira em Hollywood em banho-maria para se tornar um ativista contra a desigualdade social.