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O revestimento em pele, sem pele, está em crise

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Seja porque não envolve a morte de animais, ou porque é mais barata do que o couro, mantendo o mesmo toque agradável, a Alcantara é extremamente popular nos carros modernos. Mas agora está em crise.

Se há casos em que determinados produtos ou soluções são vítimas da sua popularidade, a Alcantara é um exemplo perfeito. Tem um aspecto de camurça, sendo tão agradável à vista como ao tacto. Mas, apesar de parecer, não é pele verdadeira. Se não acredita, ofereça um casaco de Alcantara à sua mulher, quando lhe prometeu um em pele, e prepare-se para alguma dose de retaliação, com sevícias a acompanhar.

A Alcantara foi criada em 1972 no Japão, pelo Dr. Okamoto (da empresa química Toray Industries) e não tem nada de vaca, ovelha, crocodilo ou qualquer outro tipo de animal. É muito agradável ao toque e à visão, sendo o ideal para a indústria automóvel, ao ser fácil de moldar e resistente ao uso. É composta por uma mistura de poliéster e poliuretano não fibroso, pelo que é fabricada como outro tecido qualquer.

Se a Alcantara começou por ser utilizada nos carros topo de gama – não nos Rolls e Bentley, pois preferem vacas e massajadas de preferência –, hoje é comum mesmo nos veículos mais acessíveis, especialmente nos de cariz desportivo, uma vez que faz lembrar a camurça utilizada nos volantes de competição. De tão popular e desejada, a Alcantara provocou a si própria um problema que não está a conseguir resolver: não há produção que chegue para abastecer o mercado e satisfazer a procura.

Como a Toray assinou um contrato com a química italiana Eni, para fabricarem Alcantara na Europa, próximo de Milão, e exportá-la para todo o mundo, hoje é a Alcantara SPA que produz o tecido de que todos parecem necessitar. E não há que chegue, com os italianos a negarem a camurça sintética a 20% dos potenciais clientes, uma vez que depois dos automóveis, também os barcos, os aviões e os comboios procuram o novo revestimento.

A Alcantara SPA já está a tratar de duplicar a sua capacidade de produção, fruto de um investimento de 300 milhões euros que está a realizar na sua fábrica, próximo de Roma. Mas é bem possível que, ultrapassada a actual crise, surja em breve outra, tal a crescente procura por este tipo de revestimento que parece pele sem o ser, sendo ainda mais resistente, mais leve (50%) e, claro está, mais barata.

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