A manifestação contra Bruno de Carvalho e a favor de um ato eleitoral no Sporting acabou por corporizar um movimento que nasceu nas redes sociais e que conseguiu juntar esta noite centenas de pessoas junto ao edifício Visconde de Alvalade, sendo a face mais visível de uma manifestação que está longe de encerrar por aí. Muito longe. E que conhecerá novos desenvolvimentos esta terça-feira, dia em que é provável que exista fumo branco em relação a uma rescisão de contrato por mútuo acordo com Jorge Jesus (o que faria com que os leões pudessem encontrar um novo treinador ou mesmo concretizar eventuais conversas exploratórias que já tenham mantido).

Manifestação de associados do Sporting em Alvalade juntou cerca de 500 pessoas esta segunda-feira JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Confirmando-se ou não esta última ideia, parece claro que o cerco ao atual presidente leonino vai apertar, seja via Mesa da Assembleia Geral demissionária, seja através de uma equipa de juristas com ligação ao clube, seja por grupos de associados que pedem mudanças no rumo do clube. Como? Com duas providências cautelares na frente de ataque e um processo disciplinar que surge pelo flanco também com olhos numa baliza chamada destituição dos membros do Conselho Diretivo e respetivo ato eleitoral antecipado no clube. Mas vamos por partes.

Numa primeira movimentação, a Mesa da Assembleia Geral, que contou com o apoio de outros especialistas com ligação ao Sporting, apresentou já uma providência cautelar para garantir a realização da Assembleia Geral Extraordinária de dia 23 de junho, anunciada esta segunda-feira através de anúncio em dois jornais desportivos e um generalista, e que carece ainda de publicação da mesma convocatória no jornal e no site do clube.

Jaime Marta Soares oficializou a convocatória para a AG Extraordinária de dia 23 esta segunda-feira NUNO FOX/ LUSA

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Esse foi um dos cuidados de Jaime Marta Soares quando enviou um email para Bruno de Carvalho, no sentido de solicitar essa reprodução nas plataformas de comunicação verde e brancas. E que tem mesmo de ser cumprida, como se percebeu pela “anormal” antecipação da saída do jornal do clube de quinta para segunda-feira, por forma a que a Assembleia Geral Ordinária marcada pela Comissão Transitória da Mesa nomeada pelo Conselho Diretivo para dia 17 de junho cumprisse os prazos legais para anúncio. Perante isso, e ciente que o líder leonino não tem mostrado qualquer recetividade aos pedidos feitos pela Mesa demissionária que foi afastada por decisão da Direção, essa providência visará assegurar o direito do órgão cessante em cumprir a vontade de dar a palavra aos sócios e fazer a reunião magna no dia 23, restando depois saber se a mesma, em caso de aprovação, obrigará também o Conselho Diretivo a respeitar as diligências necessárias para o ato, nomeadamente o aluguer do espaço (Altice Arena), a disponibilização de funcionários do clube, a contratação da Universidade do Minho para preparar e validar a votação em urna e a apresentação de um plano de segurança para a Assembleia Geral. O Expresso adianta que deverão ser conhecidos mais detalhes na conferência desta terça-feira.

Numa segunda movimentação, como avança também o DN, um grupo de juristas (do qual fará parte, entre outros, o professor universitário e antigo Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional entre 2013 e 2015, Miguel Poiares Maduro, que esteve também noutras ações com um grupo alargado de juristas) colocará uma outra providência com argumentos repetidos mas mais amplos. Ou seja, ao mesmo tempo que defende a total legalidade da convocatória da Assembleia Geral Extraordinária, em contraponto com a falta de argumentos para afastar a Mesa da Assembleia Geral demissionária e colocar em funções uma Comissão Transitória (que por sua vez nomeou uma Comissão de Fiscalização, para cumprir de forma provisória o papel e funções do Conselho Fiscal e Disciplinar, órgão que também perdeu o quórum com a saída de seis dos sete membros efetivos), quer ainda que exista uma suspensão do Conselho Diretivo, numa medida apoiada pela necessidade de afastar qualquer campanha através das plataformas do clube que condicione o voto dos associados.

Futuro de Bruno de Carvalho em Alvalade (ou a possibilidade de eleições) vai ser jogado também nos tribunais JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Em paralelo, existe um terceiro ponto a ter em conta: de acordo com o jornal O Jogo, a Comissão de Fiscalização que estará esta terça-feira com a Mesa da Assembleia Geral em conferência de imprensa já terá recebido esta segunda-feira uma participação disciplinar com o intuito de suspender Bruno de Carvalho e os seus pares.

Neste caso, a intenção assinada por 21 associados, entre os quais o crítico e agente musical Manuel Moura dos Santos, visa alcançar uma suspensão preventiva da Direção, devendo ser avaliada pela Comissão nomeada por Jaime Marta Soares e que conta com Henrique Monteiro, João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa e Rita Garcia Pereira. “Prática de gravíssimos ilícitos disciplinares que colocam em causa a própria subsistência da instituição Sporting Clube de Portugal”, disse o subscritor supracitado à Lusa, antes de apelidar a decisão de afastar a Mesa e nomear a Comissão Transitória como um “golpe de Estado”. O objetivo passa por ver o mesmo documento avaliado em menos de 48 horas. “Devem ser os participados suspensos preventivamente nos termos do artigo 20.º do Regulamento Disciplinar, devendo ser suspensos do exercício das funções sociais e impedida a sua presença nas instalações do clube”, acrescentou Manuel Moura dos Santos.