Sporting

Jorge Jesus assume cláusula de confidencialidade que o impede de falar do Sporting

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Jorge Jesus esteve num evento promovido pelo International Club of Portugal, falou de vários assuntos, mas recusou o tema Sporting devido a uma cláusula de confidencialidade que o próprio assumiu

AFP/Getty Images

Jorge Jesus tem uma cláusula de confidencialidade que não o permite abordar qualquer assunto relacionado com o Sporting. Mais concretamente, o ex-técnico leonino encontra-se proibido de falar sobre os últimos três meses que viveu no clube de Alvalade. A revelação foi feita pelo agora treinador do Al-Hilal à margem de um evento promovido pelo International Club of Portugal, onde falou sobre liderança e multiculturalidade.

Apesar da cláusula assumida por Jorge Jesus, o técnico português não se coibiu de comentar a realidade que encontrou ao chegar ao Sporting e como deixou o clube depois de sair. “Quando cheguei ao clube, senti que Benfica e FC Porto estavam mais perto de poder ser campeões porque o Sporting não tinha muitas coisas necessárias para vencer. Saímos e deixámos um legado: condições que sei que são precisas para se poder ganhar. Hoje, o Sporting está mais perto dos rivais”, afirmou.

Só és líder se quem trabalha contigo te seguir; senão, não te reconhecem valor (…) Os líderes têm de nascer com esse ADN; mandar é fácil, saber mandar é que é difícil”, destacou durante a intervenção.

Jorge Jesus explicou os motivos que o levaram a, pela primeira vez, arriscar uma experiência internacional e logo num país tão particular quanto a Arábia Saudita. “Vou partir para um país completamente diferente para trabalhar com árabes e com vários jogadores dos quais ainda não conheço as nacionalidades. Antes de ser treinador, sou ser humano, tal como os meus jogadores. O professor Manuel Sérgio ensinou-me a, antes de olhar para os jogadores, olhar para as pessoas. Todos queremos resultados, mas o produto final são as pessoas que o desenvolvem”, começou por explicar, antes de fazer um paralelismo entre o momento em que trocou o Benfica pelo rival Sporting e a atualidade, em que deixa os leões com destino ao Al-Hilal: “Quando mudei do Benfica para o Sporting não tinha noção da influência que a minha mudança teve nas pessoas, do quão aquilo mexia com eles a nível sentimental. Comecei a aperceber-me disso quando me cruzava com miúdos de dez e onze anos, que me perguntavam, a chorar, por que razão tinha mudado. Agora, passa-se o mesmo. Não é fácil para mim, mas tenho de procurar realizar os meus interesses profissionais e financeiros. O que me move é o jogo, a paixão pelo futebol. Por isso, dei o salto para a Arábia Saudita, para um clube que não conheço, mas com o qual me identifiquei a nível de paixão”.

Com sinais de comoção no momento da despedida de Portugal, o ex-treinador leonino deixou uma garantia – “Com a minha saída, tenho o objetivo de voltar a Portugal. Para onde, não sei” -, antes de abordar a realidade atual do futebol nacional. “É verdade que o futebol é uma indústria complicada, que envolve milhões e onde um clube funciona como uma empresa. Mas temos de começar a ter uma linguagem diferente, todos nós. Em Portugal começou a perceber-se que a comunicação também faz parte do jogo e criou-se a ideia de que os ‘chicos espertos’ é que acabam vencedores, mas não pode valer tudo para ganhar. Temos de mudar a maneira de pensar o futebol”, explicou.

Questionado sobre como será treinar um clube árabe, e no contexto do evento promovido pelo International Club of Portugal subordinado ao tema “A liderança e a multiculturalidade”, Jorge Jesus contou ainda uma história vivida no Sporting, com um jogador muçulmano: Slimani. “Tive de retirar rendimento do Slimani, que é muçulmano, reza cinco vezes por dia e, na altura do Ramadão, só se alimentava uma vez, à noite. Comigo, o Slimani esteve um mês sem se alimentar em condições para um futebolista e desmaiou três vezes nos treinos. Tivemos de perceber a melhor forma de fazer o Slimani render e a época que ele fez é a prova de que soubemos liderar nessa situação”, confessou Jorge Jesus.

Não há um bom presidente sem um bom treinador, nem um bom treinador sem bons jogadores (…) A inovação tem de existir; quem repete não progride (…) Se não houver mudanças no futebol, será uma área descredibilizada no futuro”, salientou como ideias fortes ao longo da intervenção de 15/20 minutos, seguida de perguntas dos presentes.

No final do evento, o treinador que se despede de Portugal com três títulos de campeão nacional, uma Taça de Portugal, seis Taças da Liga, duas Supertaças e uma Taça Intertoto, viu satisfeito um desejo, no mínimo, curioso: a pedido de Jorge Jesus, a fadista Fábia Rebordão cantou o tema “Falem agora”, com o treinador a acompanhar no refrão. “É a letra ideal para a minha despedida”, admitiu. De resto, a letra fala por si.

Não ouço essas conversas
Isso é banal
Por serem tão perversas
Fazem-me mal

Falem agora
Que eu estou por fora, e ate já
Não se incomodem deixem lá
Que eu já estou fora

Conversas de café
Não quero ter
Falar de outros não é
Só mau dizer

Quem diz que viu, quem mente
Essas coisinhas
Nas costas de outra gente
Eu vejo as minhas

Um caso mal contado
E outros que tais
Desligo passo ao lado
Leio jornais

Agora que entramos em 2019...

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