“Eu sou uma refugiada”, disse Amal Clooney perante uma plateia atenta e silenciosa no Festival Internacional de artes de Toronto — Luminato, que terminou no domingo. A advogada de direitos humanos conversou com o sogro e jornalista de longa data, Nick Clooney, sobre a atual crise de refugiados a que o mundo assiste e acabou por dar o seu exemplo pessoal. Sobre a política de “tolerância zero” de Donald Trump, diz que viola a lei internacional.

Perante uma audiência atenta, Amal Clooney aproveitou para defender o seu compromisso para com os refugiados e a necessidade de os ajudar, acabando por relembrar um dos momentos mais marcantes da sua vida, de acordo com o jornal canadiano The Globe and Mail.

Se o governo do Reino Unido não me tivesse estendido a mão quando a minha família estava a fugir da guerra no Líbano, não poderia ter crescido num ambiente seguro nem receber a educação que tenho hoje, nem fazer nada do que tenho vindo a fazer”, contou.

A mulher de George Clooney mostrou-se grata pelo facto de lhe terem dado, a ela e à família, a oportunidade que deram: “Estou muito agradecida por ter podido entrar num país que mostrou compaixão por mim“. E foi aí que fez a ponte para o atual problema que se tem vivido nas últimas semanas no que à imigração diz respeito. “Oxalá isso estivesse a acontecer em mais países em todo o mundo“, rematou a advogada.

Sobre a separação de famílias na fronteira do México com os Estados Unidos foi peremptória: “É vergonhoso. Não é só ilegal, é imoral“. E atacou a mais recente medida do presidente norte-americano — a assinatura de uma ordem executiva para resolver temporariamente o problema das famílias de migrantes separadas, que, no fundo, não coloca fim à política de “tolerância zero” –, afirmando que não resolve o problema e que mostra “zero de humanidade”.

Ouvir as gravações de áudio daquelas crianças… e ver as imagens daquelas crianças em gaiolas, não podes acreditar que estás a falar dos Estados Unidos da América”, prosseguiu Clooney.

Desde que casou com George Clooney, a vida da advogada alterou-se bastante, nomeadamente por causa da exposição pública. Contudo, Amal Clooney explicou que essa exposição pode ser utilizada para ajudar várias causas, tal como tem vindo a fazer. “Podes virar as luzes da ribalta para algo importante e ajudar as pessoas através da consciencialização. As piores coisas acontecem no escuro e, como um famoso jurista disse: ‘A luz do sol é o melhor desinfetante'”, rematou.

No princípio da semana passada, e segundo a revista People, a Fundação Clooney fez uma doação de 100 mil dólares ao Young Center for Immigrant Children’s Rights, uma organização que representa as crianças separadas das suas famílias em tribunal.