O Presidente dos Estados Unidos voltou a atacar George Clooney. Recorrendo à Truth Social, Donald Trump criticou a recente atribuição da cidadania francesa ao ator e à sua família — um processo excecional promovido pelo próprio ministro dos Negócios Estrangeiros francês — e aproveitou para acusar França de viver “um grave problema de criminalidade” devido à “péssima gestão da imigração”.

O líder norte-americano escreveu, nas redes sociais, que a aquisição de nacionalidade francesa por parte da família Clooney é uma “boa notícia”, uma vez que George e a mulher, Amal Alamuddin Clooney, são “dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos”.

Truth Social / Donald Trump

“Tornaram-se oficialmente cidadãos de França, país que, infelizmente, enfrenta um grave problema de criminalidade devido à sua péssima gestão da imigração, muito semelhante à que tivemos com o governo do sonolento Joe Biden”, sublinhou, reiterando as críticas que tem feito ao Eliseu e à administração Biden.

Na mesma publicação, Trump recordou o afastamento público de Clooney de Joe Biden durante a campanha presidencial de 2024. “Lembram-se de quando Clooney abandonou Joe durante uma angariação de fundos, apenas para passar para o lado de outra candidata estelar, Jamala (K!)?”, disse, fazendo referência à carta publicada pelo ator no New York Times, em julho de 2024, na qual pedia ao então Presidente democrata que desistisse da corrida à Casa Branca.

George Clooney apela à desistência de Joe Biden: “Não é o mesmo de 2010, nem sequer o de 2020”

Apesar de Clooney ter sido, segundo a Forbes, o sétimo ator mais bem pago do mundo em 2024, Trump desvalorizou a carreira do ator na sua publicação, escrevendo que  “recebeu mais publicidade pela política do que pelos seus poucos e medíocres filmes”. “Não é de todo uma estrela de cinema, mas sim um tipo comum que se queixa constantemente do senso comum na política”, concluiu.

Esta não é a primeira vez que os dois norte-americanos se envolvem em troca de acusações. Em 2016, o ator afirmou, durante o Festival de Cannes, que era “impossível” Trump chegar à Presidência dos Estados Unidos porque “o medo não é algo que sirva para manipular um país” — previsão que falhou. Após as eleições, e já depois de Trump ter sido eleito, Clooney disse: “Temos um demagogo na Casa Branca”.

Já em março de 2025, Trump chamou “ator de segunda categoria” a Clooney, após este ter comentado a liberdade de imprensa nos Estados Unidos.

Família obteve nacionalidade francesa através de pedido excecional de Barrot

Clooney e a família obtiveram a nacionalidade francesa de acordo com um decreto oficial que listava todas as naturalizações do país publicado no Journal Officiel de la République (o equivalente ao português Diário da República). No entanto, a atribuição da nacionalidade gerou um debate em França, nomeadamente devido ao domínio limitado da língua francesa por parte do ator, levando o Ministério dos Negócios Estrangeiros a justificar a decisão com base no contributo da família para a imagem internacional do país.

George Clooney, mulher e filhos obtiveram a nacionalidade francesa para proteger a privacidade da família

De acordo com o Politico, que cita fontes diplomáticas, foi o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, que propôs a naturalização da família Clooney, ao abrigo do pedido excecional de “cidadão eminente“, reservado a estrangeiros que “contribuem, pela sua ação meritória, para a imagem de França e para a prosperidade das suas relações económicas internacionais”.

Numa carta enviada ao ministro do Interior (equivalente ao ministro português da Administração Interna), Barrot sublinhou que os Clooney estão “estabelecidos de forma permanente” no sul de França, onde os filhos frequentam a escola, e que “mantêm laços pessoais e profissionais” com o país, destacando que “a atividade profissional de George Clooney gera benefícios financeiros consideráveis de que a indústria cinematográfica francesa beneficia”.

Em Outubro, numa entrevista à revista Esquire, o ator explicou a mudança para França, dizendo que preocupava-o ter de “criar os filhos em Los Angeles, na cultura de Hollywood”. “Em França, eles não ligam nenhuma à fama” acrescentou George, elogiando o entendimento da lei francesa quanto ao direito à privacidade.

“Aqui [França], eles não tiram fotografias a crianças. Não há paparazzi escondidos nos portões das escolas. Isso é a prioridade número um para nós. Não quero que eles andem por aí preocupados com paparazzi. Não quero que sejam comparados aos filhos famosos de outras pessoas”, explicou ainda.