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O médico brasileiro Dénis Furtado, mais conhecido por “Doutor Bumbum” foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de homicídio doloso. A denúncia diz respeito ao procedimento estético que deu origem à morte da paciente Lilian Quezia Calixto, no mês de julho. Se for condenado, a pena pode ir até 30 anos de prisão.

Também a mãe de Dénis, a médica Maria de Fátima Barros Furtado, a namorada, Renata Fernandes Cirne, e a sua empregada doméstica, Rosilane Pereira da Silva, foram acusadas do mesmo crime. Na denúncia do MP, a que os jornais brasileiros tiveram acesso, pode ler-se que o médico aplicou a substância química conhecida como PMMA (Polimetilmetacrilato) em quantidade acima do permitido “quando as recomendações apontam para o uso em pequenas doses e com restrições”, lê-se na Folha de S. Paulo, e que o procedimento estético foi realizado em local impróprio (na residência de Dénis Furtado).

A denúncia sustenta ainda que o médico, inscrito nos Conselhos Regionais de Medicina do Distrito Federal e do Estado de Goiás, atuava irregularmente no Rio de Janeiro, sem possuir qualquer especialização que o habilitasse para tal. Por sua vez, e apesar de ter o registo cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, a mãe do “Doutor Bumbum” continuava a apresentar-se como médica, ajudando o filho nos procedimentos cirúrgicos e orientando-o relativamente às quantidades que deviam ser injetadas.

Se os acusados forem condenados pelo Tribunal do Júri, a pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão. Lilian Quezia Calixto terá recorrido aos serviços do “Doutor Bumbum” e nesse mesmo dia foi parar ao hospital em estado muito grave, onde acabou por morrer duas horas depois.

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Esta não é a primeira vez que o médico tem problemas com a justiça: homicídio, porte ilegal de armas e ameaça são alguns dos seus antecedentes criminais. Em 2017, a Polícia Civil do Distrito Federal abriu um inquérito para averiguar em que circunstâncias Denis Furtado praticava as operações. Na altura foram apreendidos medicamentos e três armas de fogo na residência do médico.

“Doutor Bumbum” procurado pela polícia após morte de paciente no Brasil