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Bruno de Carvalho chegou a Alvalade com a intenção de apresentar provas de como existiam dúvidas do Tribunal em torno da legalidade da Assembleia Geral destitutiva e consequentes atos, viu os atuais responsáveis do Sporting recusarem qualquer tipo de novidade no que mostrou mas saiu do Multidesportivo para reforçar ainda mais o peso do que, na sua ótica, está em causa: de acordo com os documentos e decisões que alega ter, é atualmente o líder do clube e da SAD verde e branca.

“Uma das providências cautelares que entregámos à consideração da Justiça requeria a suspensão da deliberação da Assembleia Geral de dia 23 de junho. A Justiça declarou ser ilícita, o que significa que o Sporting nada pode fazer a não ser receber-nos de volta como presidente e elementos do Conselho Diretivo, presidente do Sporting e presidente da SAD. A Justiça declarou ser ilícita a execução dessa deliberação antes de decisão judicial e suspendeu-a. O resultado foi comunicado e a contra parte foi citada. Agentes de Marta Soares foram citados no dia 1 de agosto. Reforço, desde dia 1 de agosto que sabem que o presidente do clube e da SAD se chama Bruno de Carvalho. E no dia 2 de agosto os comissários de Marta Soares inventaram a pretensa suspensão. Esta é uma forma capciosa e clara de resistência ao despacho judicial. Os comissários exerceram os poderes do Conselho Fiscal de acordo com a fantasia escolhida mas este Conselho não tem poderes disciplinares quanto a atos da Direção porque essa é uma medida de avaliação exclusiva das Assembleias Gerais”, começou por referir.

“Acresce que não há nenhum órgão eleito com prevalência estatutária ou eleitoral sobre outro eleito. Portanto, sabemos que contraparte foi citada, apresentámos a registo o requerimento da suspensão da deliberação com efeitos evidentes relativamente a pretensa nomeação de Sousa Cintra e apresentámo-nos para retomar funções. Havendo resistência, faremos o que a lei nos coloca ao nosso alcance. A nossa equipa de advogados e juristas tratará disso”, salientou, prosseguindo: “Como curiosidade, verifiquem que as gentes de Marta Soares não têm ainda ao dia de hoje a ata da Assembleia Geral feita, quase dois meses depois, e que a certificação notarial da votação só foi feita dias depois da mesma. Volto a frisar: a verificação notarial da votação só foi feita vários dias depois da AG, apesar do notário por eles chamado estar presente não entregaram nada”.

Bruno de Carvalho falou também nas eleições marcadas para 8 de setembro, analisadas sob diferentes perspetivas. “Quanto a isso [eleições], e antecipando-me desde já a essa questão, tal como as gentes de Marta Soares estão a pôr as coisas, as eleições seriam obviamente impugnadas porque a sua estratégia seria a crise e uma crise bastar-lhes-ia para pôr e dispor dos recursos do Sporting Clube de Portugal. Nós não temos objeções a irmos a eleições. Depois de uma crise como esta, é útil refrescar a legitimidade eleitoral. Portanto, é preciso defender a regularidade do ato. Vamos continuar a trabalhar para evitar que se instale em definitivo o sinistro projeto cuja tentativa está em curso”, comentou, antes de nomear pontos a ter em conta.

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“Existem situações que não podemos admitir ou abdicar que podem atrasar um pouco a data destas eleições: 1) já ter sido feito o sorteio das listas sem a nossa presença; 2) vários atos de campanha terem sido desmarcados por ordem desta putativa Comissão de Gestão; 3) já terem sido enviados votos por correspondência sem a nossa lista estar presente; 4) ter a certeza que o ato eleitoral decorrerá em conformidade com aquilo que foi em 2013, com três zonas de segurança, zona de acreditação com delegados de todas as listas, voto eletrónico, supervisionado por uma entidade independente, na zona da urna e dos computadores ter um delegado de cada lista e na contagem dos votos também. Para já, foi uma importante vitória da democracia e da tolerância, uma vitória do Sporting. Vamos continuar o nosso caminho para que o Sporting seja sempre dos sócios e para os sócios”, concluiu o líder destituído a 23 de junho, antes de responder a algumas perguntas dos jornalistas.

“Fomos recebidos pelo departamento jurídico do Sporting, estão lá em cima pessoas da Comissão de Gestão que não tiveram coragem de nos enfrentar. O que fizeram foi desrespeitar outra vez algo que já sabiam desde 1 de agosto e por isso mandámos a polícia vir cá e ir lá acima identificar as pessoas que tomaram a decisão de não nos reporem no nosso local, que é como presidente do clube e da SAD. Não tiveram coragem, mandaram pessoas do departamento jurídico com quem trabalhei cinco anos e agora espero trabalhar novamente dentro de dias, como legítimo presidente da SAD e do clube. Não foi só fumaça, há uma decisão que não é nada de novo. Neste momento, o presidente do Sporting sou eu, o presidente da SAD sou eu”, garantiu.

“Não tenho dúvidas que está para muito breve o voltar a casa. Foi muito bom voltar a casa, a um sítio nosso por direito porque os sócios quiseram e onde queremos continuar o nosso trabalho. Tudo o que estou aqui a dizer está em registo na Conservatória, todo o efeito da Assembleia Geral de dia 23 foi suspenso e eles sabem isso desde 1 de agosto. Não vou abdicar de lutar pela democracia. O resultado da Assembleia Geral é uma mentira pegada”, concluiu Bruno de Carvalho.