A Uber vai pagar 1,9 milhões de dólares a 56 antigos e atuais funcionários depois de queixas de discriminação de género, assédio e ambiente de trabalho hostil. Além dos cerca de 33.900 dólares que cada um destes trabalhadores vai receber, a empresa terá ainda de pagar 5,1 milhões de dólares divididos por outros 480 funcionários — incluindo os 56 presentes na primeira quantia. Tudo somado, a Uber vai pagar cerca de 7 milhões de euros.

A queixa foi iniciada por três engenheiras de origem latina em outubro de 2017: as três mulheres alegaram que recebiam menos do que os colegas do sexo masculino que eram caucasianos ou asiáticos. A argumentação indicava que a Uber utiliza um esquema de “ranking em pilha” que faz com que “as funcionárias do sexo feminino e os funcionários de cor sejam sistematicamente subvalorizados porque recebem, em média, avaliações baixas independentemente de terem uma performance igual ou superior”. Este tipo de ranking é ainda utilizado para determinar as promoções concedidas aos trabalhadores.

Depois das três funcionárias que deram o primeiro passo, outros 53 trabalhadores decidiram contar as suas próprias histórias de discriminação e assédio na Uber. A um outro grupo – formado por mulheres e minorias subrepresentadas na empresa e que abrange cerca de 480 funcionários que trabalham no software da aplicação, incluindo os 56 da primeira queixa – foram atribuídas compensações individuais de cerca de 10.700 dólares baseadas na antiguidade, no cargo e na localização. A CNN conta ainda que duas pessoas decidiram ficar fora dos acordos por motivos que ainda não são conhecidos.

Em julho de 2017, meses antes da queixa ser apresentada, a Uber anunciou que tinha aumentado os salários para garantir que todos os funcionários, independentemente de género e raça, eram pagos de forma equiparada consoante a antiguidade, o cargo e a responsabilidade. No mês passado, a diretora de recursos humanos da empresa demitiu-se depois de uma investigação interna concluir que não soube lidar com as queixas de discriminação racial que foram sendo feitas no cerne da Uber.

Em agosto de 2017, a U.S. Equal Employment Opportunity Comission abriu uma investigação à Uber e começou a entrevistar antigos e atuais funcionários, além de ter pedido acesso a documentos internos relacionados com as práticas de recrutamento da empresa e os salários.