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“Arrepiei-me quando marquei. Qualquer um ficava arrepiado ainda por cima num dérbi, mas é consequência do meu trabalho. Tenho de agradecer a aposta que têm feito em mim. Trabalho para corresponder e quero continuar a corresponder. Agradeço a quem tem apostado em mim”, comentou João Félix à BTV no final de um jogo que dificilmente irá esquecer.

Aposta de Rui Vitória nos últimos minutos do triunfo no Bessa da segunda jornada, o médio ofensivo entrou também no último jogo para a Liga dos Campeões (PAOK, tendo mesmo nos pés a derradeira oportunidade para desfazer o empate) e voltou a merecer essa confiança num contexto complicado, quando o Benfica perdia por 1-0 com o Sporting. Além de mexer com todas as dinâmicas ofensivas coletivas dos encarnados, o jovem de 18 anos apontou ainda o golo do empate final, de cabeça, na sequência de um cruzamento de Rafa. Logo ele que chegou à Luz por ser demasiado pequeno e franzino.

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Depois de começar a jogar nos Pestinhas, onde o pai (que foi também futebolista, em divisões secundárias) era treinador enquanto estava como adjunto do Tondela, João Félix chegou à formação do FC Porto mas acabou por não convencer, não tanto pela qualidade técnica mas pelo corpo de magricelas que não parecia augurar um grande futuro. Ainda passou pelo Dragon Force e pelo Padroense antes de chegar, em 2015, ao Benfica, que lhe reconheceu um talento acima de qualquer peso ou medida. E acertou em cheio: internacional Sub-21 apesar de ter ainda 18 anos, o médio ofensivo tem uma capacidade acima da média e é tido pelos responsáveis encarnados como uma dos maiores diamantes fabricados no Seixal.

Uns fazem comparações com Bernardo Silva, pela capacidade técnica com um centro de gravidade pequeno. Outros olham para as semelhanças com Rui Costa, pela capacidade de jogar com bola colada no pé e cabeça sempre levantada. Uma coisa é certa: ninguém tem dúvidas que, no contexto certo, João Félix é a principal bandeira do futuro do Benfica.

“Era um objetivo que tinha traçado, agora é continuar a trabalhar para conseguir mais objetivos. Vou procurar ajudar a equipa, fazer bons resultados e é nisso que tenho de me focar. Não estava à espera de estar onde estou com esta idade. É bom, claro, mas é graças a todos os que me ajudaram. É importante ter os pés assentes na terra. Tenho uma família que me lembra sempre disso. Quanto mais subimos, maior o tombo”, comentou em dezembro de 2017, quando renovou até 2022.

Curiosamente, o primeiro golo ao serviço da equipa B já tinha sido marcante em termos pessoais, ao ser obtido frente ao Ac. Viseu na cidade onde nasceu; agora, tornou-se o mais novo de sempre a sair do banco e a marcar no primeiro dérbi com o Sporting.

“Foi um jogo em que estivemos sempre por cima, tanto na primeira como na segunda parte. Tivemos mais oportunidade na segunda parte, na primeira foi um jogo com mais batalha. No segundo tempo fomos para cima, assumimos o jogo, criámos muitas oportunidades e o guarda-redes do Sporting acabou por ser um dos melhores em campo”, comentou sobre o jogo.

Sem Bas houve o ‘boost’ de Nani e o ‘salero’ de Salin, mas o menino Félix foi mais feliz (a crónica do Benfica-Sporting)

“A qualidade é que importa, senti que podia aportar mais golo na zona central e o João tem capacidade de finalizar de uma forma muito boa. Tentámos aproveitar isso. O critério aqui é a qualidade: o João entrou, marcou e ficámos satisfeitos. Quando um jogador entra e tem este desempenho ficamos contentes”, analisou Rui Vitória sobre o jovem jogador.