Rádio Observador

Natureza

Dia internacional do abutre “festejado” com revitalização de espécie mais ameaçada

O abutre enfrenta sérios riscos por todo o mundo, mas quando se celebra internacionalmente o seu dia em Portugal comemora-se também a revitalização da espécie mais ameaçada, o abutre-preto.

ANTÓNIO JOSÉ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O abutre enfrenta sérios riscos por todo o mundo, mas quando se celebra internacionalmente o seu dia em Portugal comemora-se também a revitalização da espécie mais ameaçada, o abutre-preto, que chegou a estar praticamente extinta no país.

Em Portugal existem três tipos de abutre, o grifo, o abutre-do-egito, ou britango, e o abutre-preto, sendo que as duas últimas espécies são as mais ameaçadas. Só que enquanto existem duas dezenas de casais de abutre-preto, com a população a aumentar, de britango são duas centenas, em franca regressão, disse à Lusa o biólogo Eduardo Santos.

Eduardo Santos coordena o trabalho relacionado com a conservação do abutre-preto na associação ambientalista Liga para a Proteção da Natureza (LPN). Em entrevista à Lusa, lamentou que ainda hoje se tenha em relação ao abutre uma imagem menos positiva, pelo que “muita gente não tem a noção” das ameaças a que está sujeito.

Por isso, no Dia Internacional dos Abutres, “é importante alertar para a sua conservação”, nomeadamente porque as suas características são importantes nos ecossistemas e “peças chave para a sanidade e para o equilíbrio da natureza”, salientou.

Em Portugal existem abutres em regiões próximas da fronteira com Espanha, sendo que o abutre-preto, o mais raro, nidifica na região de Moura, no Alentejo, na zona do Tejo Internacional, Idanha a Nova/Castelo Branco, e no Douro Internacional, na zoa de Mogadouro. Segundo Eduardo Santos a espécie está a recuperar desde 2010 e voltou a reproduzir-se em território nacional, depois de nos anos 70 ter desaparecido enquanto reprodutor.

Hoje há no Alentejo oito casais a reproduzirem-se, disse o ambientalista à Lusa. A informação também faz parte de um comunicado da LPN, no qual se especifica que a reprodução acontece na Herdade da Contenda (empresa municipal de Moura) e que a monitorização foi feita pela LPN, em colaboração com a empresa e com o acompanhamento do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Cinco dos oito casais nidificam em ninhos artificiais e três em ninhos naturais. “Quatro desses casais conseguiram fazer postura de um ovo (como é característico da espécie), dos quais nasceram duas crias”, especifica o comunicado da LPN.

A propósito do dia que hoje se comemora a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) fala também, em comunicado, do sucesso em relação ao abutre-preto mais a norte do país.

Depois de perderem a cria no ano passado, num incêndio no Parque Natural do Douro Internacional, o único casal de abutre-preto do norte do país viu agora a cria deste ano deixar o ninho

“Tivemos umas noites mal dormidas, mas ver a cria voar compensa toda a ansiedade, e é um prémio bem merecido para todos os envolvidos, que foram incansáveis”, diz citado no comunicado Joaquim Teodósio, da SPEA, coordenador do projeto Life Rupis, de proteção das águias e abutres ameaçados no Douro Internacional. A equipa tem campos de alimentação suplementar para abutres na região.

A monitorização nos parques naturais do Douro Internacional e de Arribes del Duero, Espanha, indicou também a existência de 30 juvenis de britango, segundo as contas da SPEA, que revela ainda que os primeiros britangos já partiram do Douro em direção a África para passar o inverno.

Diz a SPEA que serão mais de 3.000 quilómetros a percorrer nas próximas duas semanas, para uma região entre a Mauritânia e o Mali. Um dos primeiros a partir foi um abutre chamado Douro, exatamente no mesmo dia em que o fez no ano passado, 28 de agosto. A viagem de Douro pode ser seguida através do projeto Life Rupis.

Segundo Eduardo Santos os abutres estão em permanente ameaça de extinção em Portugal, como muitas pressões, sendo a maior parte de origem humana. O envenenamento é a principal causa de morte, mas os abutres também são afetados pela falta de alimentos, “devido às mudanças profundas ao nível da pecuária e às regras sanitárias” que obrigam à remoção de animais mortos no campo.

O responsável fala ainda de outra ameaça, a utilização de um anti-inflamatório de uso veterinário (diclofenac), que está em análise e que pode ser aprovado em Portugal. Qualquer animal tratado com o produto que sirva de alimento aos abutres leva à morte destes, avisou o biólogo.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)