O vulcão Soputan, na Indonésia, entrou em erupção na mesma ilha que foi atingida por um sismo de magnitude 7,5 na escala de Richter e de um tsunami que matou pelo menos 1.234 pessoas. Uma coluna de fumo com seis mil metros de altura ergueu-se esta manhã por cima do monte Soputan, ilha de Sulawesi, obrigando as autoridades locais a acionar o código laranja para a aviação.

Há vários meses que uma erupção deste vulcão, um dos mais ativos da ilha, era esperado: as câmaras térmicas já tinham detetado lava com temperaturas muito altas junto ao cume do monte e a atividade sísmica também tem aumentado por lá.

O ministério da Energia e Recursos Minerais ainda não evacuou nenhuma aldeia: apenas pediram à população que se mantivesse a uma distância mínima de quatro quilómetros em redor do vulcão, que nos últimos 600 anos já entrou em erupção 39 vezes. Além disso, os indonésios residentes em Sulawesi são aconselhados a utilizarem máscaras de proteção contra o fumo e as cinzas.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ainda não é possível saber se o terramoto que abalou a ilha de Sulawesi na sexta-feira passada está relacionado com a erupção vulcânica do Soputan esta quarta-feira. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, “por vezes” os sismos e erupções vulcânicas estão relacionados: “Alguns grandes terramotos regionais (maiores que magnitude 6) são considerados pelos cientistas como relacionados a uma erupção subsequente ou a algum tipo de agitação num vulcão próximo”.

O mecanismo exato para estes exemplos históricos não é bem compreendido, mas “a atividade vulcânica provavelmente ocorre em resposta a uma mudança na pressão local em torno do sistema de reservatórios de magma como consequência de um tremor de terra severo causado pelo terramoto; ou de uma mudança na “tensão” ou pressão na crosta terrestre na região em torno do local onde ocorreu o terramoto”, diz o serviço geológico norte-americano. Mas os cientistas ainda não sabem se este é o caso na Indonésia.

A Indonésia Oriental localiza-se numa área onde quatro placas tectónicas chocam umas contra as outras: a da Austrália, a de Sonda, a do Pacífico e do Mar das Filipinas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos especificou que o epicentro do sismo de sexta-feira aconteceu precisamente por cima do local onde a placa de Sonda se mexe em direção a sul a uma velocidade de 30 milímetros por ano; e a placa da Austrália se mexe para norte a um ritmo de 56 milímetros por ano. À medida que uma avança contra a outra, a placa da Austrália — por ser mais pesada — mergulha por baixo da de Sonda, destruindo-se e abrindo uma fossa com 7.725 metros de profundidade e 400 quilómetros de comprimento. O magma em profundidade, que está gente e precisa de expandir, ganha assim espaço para subir até à superfície terrestre.

A Indonésia é um dos países inseridos no Anel de Fogo no Pacífico, uma região de grande instabilidade geológica circundada por fossas como a das Marianas, que é a mais profunda do planeta Terra. Essas fossas existem porque a Placa do Pacífico, uma das que compõe a crosta terrestre, choca contra várias outras placas — nomeadamente a Indo-Australiana, a das Filipinas, a Norte-Americana, a Euroasiática, a Cocos e a da Antártida. Quando chocam, uma das placas mergulha por baixo da outra abrindo fossas a partir das quais o magma sobe para originar erupções vulcânicas. Nove em cada dez das erupções vulcânicas do planeta acontecem no Anel de Fogo e metade dos sismos registados na Terra são originados lá.